Santarém

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Fundação Terre des Hommes, proprietária do Barco Abaré I, anuncia retirada da embarcação do atendimento às comunidades carentes do rio Tapajós

Em protesto realizado ontem, 13/02/2011, entre as demandas, ribeirinhos pediram a permanência do barco no Tapajós

Em nota publicada ontem, 13/02/2011, o Projeto Saúde & Alegria – PSA manifestou preocupação com a recente decisão da Fundação Terre des Hommes da Holanda, de retirada do Barco Abaré I da região prejudicando o atendimento à saúde de cerca de 70 comunidades da Reserva Extrativista Tapajós/Arapiuns e da Floresta Nacional do Tapajós, nos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro.

O Barco Abaré,  construído pela Terres des Hommes  –  TDH, operava  em regime de comodato com as Prefeituras da região e o PSA na forma de um arranjo público-privado para desenvolver um modelo de atendimento adaptado à realidade ribeirinha da Amazônia.

Foi graças ao Abaré, que a  partir de 2006, mais de 15 mil ribeirinhos passaram a ter acesso regular aos serviços básicos de saúde, com a realização de mais de 20 mil procedimentos clínicos por ano, melhorando significativamente as condições de saúde da população que antes sofria com a  falta de atendimento adequado. O barco, que teve seu nome escolhido pelas comunidades e que em tupi significa “o amigo cuidador”, pode não mais atender à essa população que o acolheu.

Em 2010, o Projeto alcançou um dos seus principais objetivos quando o modelo de atendimento implantado foi reconhecido pelo Ministério da Saúde, que se inspirou nesta experiência para criar o Programa de Saúde da Família Fluvial  por meio da Portaria 2.191, credenciando o Barco Abaré I como a sua primeira unidade no país. O Ministério da Saúde passou a financiar os municípios para que pudessem assumir o atendimento antes custeado pelo Projeto. Contudo, a presença do barco é essencial para a manutenção do serviço, já que no curto-prazo não existe nenhuma embarcação substituta.

Em comunicado de 2/fev enviado à Secretaria Municipal de Saúde de Santarém, Terre dos Hommes informou que não mais disponibilizará o Abaré I, justificando que a Prefeitura já dispõe de outro barco, o Abaré II, que poderia ser utilizado para este mesmo serviço.

No entanto, o coordenador do PSA, Caetano Scannavino,  esclareceu em nota que o Abaré II, inaugurado ao final de 2011, é um barco de menor porte, projetado para apoiar as comunidades do Arapiuns,  um rio de navegabilidade menos complexa, e que não suportaria atender a região do Tapajós ao mesmo tempo.

Caetano informou ainda que o convênio com a Terre des Hommes encerrou em 2011 e reconheceu a importante contribuição do povo holandês, sem a qual as melhorias anteriormente citadas não seriam possíveis. Mas lamentou a forma como a Terre des Hommes está conduzindo o final de um ciclo, de uma iniciativa de sucesso, premiada nacional e internacionalmente. “No momento em que o modelo de atendimento em saúde fluvial foi incorporado pelo SUS, em que os municípios passaram a ter condições de assegurar o direito constitucional das comunidades em ter um atendimento digno, eis que resolvem retirar o Barco. Inclusive, inviabilizando uma possível transição até que as Prefeituras pudessem substituí-lo por um novo barco nos moldes exigidos pelo Programa de Saúde da Família Fluvial”, afirmou.

Disse ainda que “embora o atendimento por meio da Unidade de Saúde da Família Fluvial seja uma responsabilidade assumida desde 2010 pela SEMSA de Santarém, o Projeto Saúde & Alegria reafirma seu apoio às comunidades e autoridades envolvidas na busca por uma solução, sempre tendo como prioridade, a saúde da população ribeirinha. E estamos buscando sensibilizar os diretores da Terre des Homens nesse sentido”.  Caetano finaliza deixando um fio de esperança. “Enviamos uma carta ao Conselho de Gestão e Fiscalização deles, que nos pareceu não estar muito a par da situação, conforme retorno do próprio Presidente da Terre des Hommes querendo conversar diretamente e pedindo mais tempo para avaliar o caso, assim como prometendo uma resposta até a próxima semana. Então é importante dar um voto de confiança tendo em vista o importante apoio desta Organização nesses anos todos e o histórico de sucesso desta parceria.”

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Leia a NOTA completa do Projeto Saúde & Alegria

Sobre a decisão do Terre des Hommes pela saída do Abaré da Região do Tapajós

Por Caetano Sacannavino Filho (*)

Lamentamos profundamente a decisão da Organização holandesa Terre Des Hommes (TDH) – proprietária do navio-hospital Abaré – pela saída abrupta da embarcação de nossa região, conforme comunicado oficial encaminhado no ultimo dia 2/fev à Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) de Santarém. Esta medida trará consequências graves à saúde dos 15 mil ribeirinhos de comunidades carentes e remotas do Tapajós, que ficarão desassistidos já que não existe no curto-prazo um barco substituto.

Há de se reconhecer o importante apoio do TDH através de uma cooperação iniciada em 2001 com PSA, determinante para alavancar o desafio que vimos empreendendo desde 1987 para construção de um modelo de saúde básica adaptado ao contexto amazônico, resoluto, participativo e passível de integração com as politicas publicas.

Com o inicio em 2006 das operações do Abaré  em parceria com as Prefeituras de Santarém, Belterra e Aveiro, deu-se o passo que faltava neste sentido. A partir de rodadas regulares de atendimento e educação preventiva, foram alcançados resultados significativos na melhoria da saúde comunitária.

A iniciativa bem sucedida se tornou politica publica nacional em 2010 com o lançamento pelo Ministério da Saúde (MS) da Portaria 2.191 – Saúde da Família Fluvial – que regulamenta e prevê recursos federais aos municípios de toda Amazonia e Pantanal interessados na replicação da experiência por meio de barcos-hospitais – motivo de orgulho aos envolvidos pois o que foi semeado no Tapajós  estará beneficiando milhares de comunidades de outras regiões.

No entanto, não podemos ficar omissos em relação a forma pouco respeitosa com que os atuais responsáveis pelo Projeto Abaré junto ao TDH procederam as tratativas com as Instituições de nosso país, sem a flexibilidade necessária para se buscar alternativas seja para permanência definitiva da embarcação no Tapajós (como prometido no inicio da cooperação) ou ao menos até que se conseguisse um barco substituto e operante, o que demonstra falta de compromisso com a saúde dos  ribeirinhos (o mais importante), com o que se construiu ao longo dos anos e com o ônus causado aos atores envolvidos antes parceiros – Governo Federal, Prefeituras, Conselhos, PSA e representações comunitárias.

Em setembro de 2011, fomos comunicados pelo TDH da sua intenção em encerrar a parceria bilateral com o PSA ao final do ano. Com a crise econômica europeia, podíamos até prever o fim da cooperação conosco, mas não imaginamos que isto significaria também a saída do Abaré de nossa região a partir de 2012, uma vez que a embarcação foi certificada em dez/10 pelo MS como a primeira Unidade de Saúde da Família Fluvial (USFF) do país – constituindo um arranjo publico-privado integrado ao SUS – cujas ações assistenciais desde então vinham sendo operadas sob a liderança da Prefeitura de Santarém (proponente da Portaria 2.191 junto ao MS) em acordo com os demais municípios, com  recursos federais assegurados da ordem anual de meio milhão de reais, estando o PSA responsável apenas pelas atividades complementares de saúde (campanhas educativas, receptivos de voluntários, apoio logístico, etc).

Compreendemos a decisão relativa ao PSA, mas insistimos com o TDH para que estabelecessem tratativas diretamente com os Municípios no sentido da renovação do arranjo publico-privado para 2012, mesmo sem a nossa participação, já que havia a garantia dos recursos da Portaria 2.191 e o mais importante era evitar a interrupção dos serviços assistenciais junto as comunidades.

No entanto, não houve nenhum comunicado oficial dos holandeses aos Municípios e, diante de todas informações e documentações repassadas por nós,  a Prefeitura de Santarém teve a iniciativa de entrar em contato com o TDH na busca de soluções, mas este sempre respondeu de forma evasiva, pouco clara, as vezes contraditória, ora dando a entender que aceitariam manter o barco por mais 6 meses e solicitando propostas, ora voltando atrás criando obstáculos burocráticos injustificáveis, enfim, uma estratégia quem sabe para ganhar tempo até a virada do ano. Isto sem falar que a principal alegação para a decisão tomada era a entrada em operação de um segundo barco – no caso, o Abaré II – o que não procede, diante de inúmeros relatórios e correspondências esclarecendo-os que o mesmo é de menor porte e foi projetado para atender cerca de 2 mil famílias da bacia do Rio Arapiuns, cuja navegabilidade é bem menos complexa.

Diante da magnitude do problema, é importante ainda ressaltar que durante todo este período, em momento algum veio um representante deles para tratar pessoalmente do assunto. As comunicações ocorreram a distancia, via correio eletrônico, com respostas espaçadas ao longo do tempo. E nem o PSA nem as Prefeituras dispõem até o momento de uma resposta oficial relativa ao destino do Abaré, mesmo após inúmeros pedidos de esclarecimentos.

Não estamos negando a propriedade do Abaré pelo TDH, tampouco o seu direito de tomar decisões, por mais opostas que sejam. Mas a boa fé de uma Cooperação implica em compreender a conjuntura, as regras de convivência, os princípios de igualdade, atuar de forma transparente, ceder quando necessário, ter o bom senso do aviso-prévio realista e factível, entre outros procedimentos, que jamais podem se distanciar do objetivo-fim de uma parceria que envolve uma conjunto de atores – no caso, a saúde dos ribeirinhos. Portanto, ter a flexibilidade necessária para, mesmo desejando deslocar a embarcação para outra região, ser também partícipe com os demais envolvidos na busca de uma solução que evite a interrupção dos serviços assistenciais e estabeleça um processo de transição menos traumático.

Nada contra novos projetos ou a construção de um outro barco pela cooperação holandesa se o Terre Des Hommes deseja operar em outras regiões. O difícil de entender é que, para isso, teremos a quebra  de um compromisso com os ribeirinhos do Tapajós a partir de um projeto resoluto, premiado e exitoso, com envolvimento e recursos públicos assegurados, símbolo de uma nova politica de saúde para toda região,  referencia em nosso país e de Instituições como o Banco Mundial e a Organização Mundial de Saúde.

Diante do exposto, vimos a publico manifestar nosso apoio às comunidades e autoridades de nosso país no sentido de se buscar uma solução para a saúde dos ribeirinhos do Tapajós. Diante do comunicado em 2/fev dos interlocutores do TDH junto ao Projeto Abaré anunciando sua saída da região, encaminhamos em seguida uma carta ao Conselho Mundial de Gestão e Fiscalização do Terre Des Hommes – que talvez não esteja devidamente informado da situação –  manifestando nossa discordância com a decisão tomada e solicitando que revejam sua posição de modo a reestabelecer as negociações com a Prefeitura de Santarém e demais Instituições envolvidas.

Visamos como isto:

– Em primeiro lugar, a disponibilização imediata do Abaré para retomada dos atendimentos (principal compromisso) e manutenção da Portaria 2.191 vigente;

– Em segundo lugar, aprofundar as tratativas para um encaminhamento definitivo (nacionalização ou permanência até um barco substituto entrar em operação) a partir de um Plano de Transição factível e acordado entre as partes.

Esperamos que os membros do Conselho de uma organização internacional que opera no Brasil – país historicamente com excelentes relações com a Holanda – se sensibilizem com a situação e resgatem o bom senso de uma parceria até então muito bem sucedida, que trouxe resultados significativos e benefícios determinantes para nossa região.

Santarém, 13 de fevereiro de 2012

Caetano Scannavino Filho

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* Coordenador do Projeto Saúde & Alegria

Breve Histórico do Abaré

Desde o inicio de sua atuação, em 1987, o PSA procura somar esforços às politicas publicas para assegurar o direito a saúde e reduzir os níveis de exclusão das populações ribeirinhas da região. Na busca pela construção de um modelo de atenção básica, lideranças foram capacitadas para o controle social a partir da formação de Conselhos Locais Integrados de Saude; moradores voluntários foram formados como monitores de saúde se qualificando posteriormente como ACSs contratados pelas Prefeituras; Parteiras e Clubes de Mães foram apoiadas na saúde materno-infantil; realizaram-se inúmeras campanhas educativas de mobilização e prevenção; soluções apropriadas de saneamento básico (pedras sanitárias, filtros, kits de cloro, poços e microssistemas de abastecimento de água) foram implantadas; entre outras ações que geraram benefícios para mais de 5 mil famílias das zonas rurais.

Em 2006, com o inicio do funcionamento do N/M Abaré, além da continuidade às ações antecedentes, foi possível implementar de forma regular e sistemática os serviços de atendimento em saúde básica, tendo como prioridade mais de 70 comunidades das duas margens do rio Tapajós. Com este incremento e aumento de escala, deu-se o passo que faltava para avançar no modelo iniciado, vislumbrando que o mesmo pudesse um dia ser absorvido pelas políticas publicas, já que não é função das ONGs substituir o estado, ainda mais em se tratando de saúde básica, uma responsabilidade constitucional dos municípios.

No começo, os recursos da operação da embarcação eram praticamente 100% da Holanda, tendo em vista a logística dispendiosa (equipe embarcada, gastos com alimentação, combustível, horas de viagem de barco, medicamentos, exames, etc) para fazer o direito à saúde acontecer nos interiores da Amazônia e a falta de mecanismos públicos arrecadatórios que atendessem essas especificidades de nossa região – lembrando que o padrão SUS se aplica tanto para municípios de SP como do Pará, estes do tamanho de países, sem falar nas carências de transporte, comunicação, energia, etc.

Mesmo cientes das dificuldades financeiras dos municípios para arcar com serviços assistenciais regulares e de qualidade nas zonas rurais, desde o começo das operações do Abaré no Tapajós contamos com as parcerias das Prefeituras onde o barco atua – Santarém, Belterra e Aveiro – que encaminhavam suas equipes de atendimento e se somavam ao quadro contratado pelo PSA (médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos de enfermagem) para o difícil desafio de jornadas ininterruptas de atendimento (ás vezes com mais de 20 dias em campo, trabalhando dia e noite) e frequência de retorno a cada 40 dias durante todo ano.

Funcionando nos moldes de um PSF (Programa Saúde da Família) itinerante, o Abaré implantou programas de saúde da criança, saúde oral, imunizações, pré-natal, PCCU, planejamento familiar, atendimentos médicos, ambulatoriais, exames de rotina e pequenas cirurgias. Soma-se ainda uma equipe de arteducadores para realização de dinâmicas educativas de mobilização e prevenção como ações integradas e complementares às assistenciais.

Ao longo dos anos, os esforços conjuntos do PSA e Prefeituras começaram a dar resultados, com o Abaré viabilizando o acesso regular da saúde básica a mais de 15 mil ribeirinhos, executando mais de 20 mil procedimentos de saúde/ano, obtendo significativa melhora dos indicadores (redução da mortalidade infantil, elevação da cobertura vacinal, etc) e resolutividade de 93%, ou seja, somente 7 a cada 100 pacientes encaminhados em média aos centros hospitalares urbanos.

Esta iniciativa ganhou visibilidade além das fronteiras tapajônicas, com diversos prêmios, publicações, citações na mídia – nacionais e internacionais – tendo recebido visitantes ilustres como o Príncipe Charles, Ministros de Estado, Governadores, entre outras autoridades, que reconheceram no polo santareno sua capacidade de articular os setores públicos, privados e da sociedade civil na formulação de soluções concretas passiveis também de replicação em outras regiões.

Em decorrência da iniciativa bem sucedida do Abaré, em 2009 a experiência se tornou objeto de estudo do Ministério da Saúde (MS), que com base nela lançou a Portaria 2.191, de 03 de Agosto de 2010, instituindo critérios diferenciados com vistas à implantação, financiamento e manutenção da Estratégia de Saúde da Família Fluvial para as populações ribeirinhas na Amazônia Legal e em Mato Grosso do Sul.

O lançamento da Portaria 2.191 coincidiu com o período de crise econômica global, que começou em 2008 e também repercutiu no PSA. Em 2009, o TDH fechou seu escritório no Brasil e encerrou toda cooperação que tinha com outras ONGs, mantendo apenas a parceria com o PSA por meio de contratos anuais que desde então passaram a sofrer cortes seguidos.

Em meados de 2010, o TDH havia se manifestado por meio de um Termo de Acordo apresentando condicionantes para a continuidade da cooperação – principalmente a mobilização de novos parceiros e recursos, sobretudo públicos, para operação do Abaré – não oferecendo garantias de disponibilização da embarcação a partir de 2012.

Felizmente, com o advento da Portaria 2.191, as condicionantes acordadas foram alcançadas até mesmo antes do previsto e acima das expectativas. Em dezembro de 2010, o Abaré foi qualificado como a primeira Unidade de Saúde da Família Fluvial (USFF) do Brasil integrada ao SUS. Com isso, desde janeiro de 2011, o Fundo Municipal de Saúde de Santarém (Município polo e proponente da ação) passou a ser reforçado com recursos do MS próximos de meio milhão de reais anuais para uso exclusivo no custeio da embarcação e dos serviços assistenciais no Tapajós.

Desta forma, desde o inicio do ano passado, o PSA deixou de executar os atendimentos, que passaram a ser de total responsabilidade das Prefeituras (técnica e financeira), com suas equipes de servidores públicos. Criou-se então um arranjo publico-privado, com o TDH (proprietário do Abaré) disponibilizando a embarcação para os serviços das Prefeituras, e mantendo com o PSA apenas a cooperação para as ações complementares de saúde (campanhas educativas, assessoria à gestão técnica, apoio logístico adicional, articulações com universidades e instituições afins para receptivos de profissionais eventuais, voluntários e residentes, etc).

Ao longo de 2011, a USFF Abaré capitaneada pelas Prefeituras e integrada ao SUS realizou 8 longas rodadas de atendimento abrangendo as duas margens do Tapajós, tendo executado 4.749 consultas médicas, 4.451 exames laboratoriais, 4.439 procedimentos odontológicos e 19.963 de enfermagem, entre outras ações, como dinâmicas educativas e preventivas, campanhas de saúde da mulher e da criança.

Somou-se às ações assistenciais também avanços nas articulações interinstitucionais visando a mobilização de novos parceiros e a diversificação dos serviços. A titulo de exemplo, com o GESAC – Programa de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações – foi aprovada em 2011 a instalação de um Telecentro móvel no Abaré, permitindo a conexão banda larga à internet e a aplicação de ferramentas de telemedicina. Com as Universidades, manteve-se em 2011 as atividades de educação medica continuada com o Programa de Barco-Escola visando o receptivo de residentes (com ganhos na formação profissional e no apoio aos atendimentos), com excelentes perspectivas para 2012 como a inserção do Programa na grade curricular de Órgãos de Ensino como a Universidade Estadual do Para, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade de São Paulo – na forma de estagio do internato rural e da residência medica em Saúde da Família Fluvial, um importante papel dentro da formação de médicos na região e no Brasil onde, graças ao treinamento a bordo, conhecem e enfrentam as peculiaridades do atendimento às comunidades ribeirinhas.

Com a Portaria 2.191 e o edital do MS lançado ao final de 2011 para o financiamento de barcos-hospitais em toda região amazônica e pantaneira, abriu-se ainda novas frentes potenciais como a capacitação por meio de oficinas e vivências práticas no Abaré de gestores públicos interessados na replicação da experiência junto aos seus municípios – fundamental para transferência do aprendizado acumulado para que os benefícios semeados no Tapajós pudessem se disseminar para um numero muito maior de ribeirinhos necessitados.

Iniciativas como estas para mobilização de novos parceiros, qualificação e diversificação dos serviços, entre outras oportunidades surgidas, não apenas fortaleceriam a função social do Abaré, como também incrementariam novos recursos financeiros para sua sustentação, reduzindo a dependência do apoio holandês. No entanto, estes avanços ficaram comprometidos em função das indefinições quanto ao destino da embarcação.

Por estas razões, independentemente do término da cooperação bilateral com o PSA, sempre esperamos pelo bom senso do TDH em prol da permanência do Abaré em nossa região. Não cabe aqui solicitar que a Holanda financie a saúde publica na Amazonia, mesmo porque o Ministério da Saúde juntamente com as Prefeituras estão fazendo sua parte. A continuidade dos serviços assistenciais no Tapajós é o ponto chave, e para isso o Abaré deve permanecer na região, seja por meio de sua nacionalização ou até que um novo barco substituto entre em operação.

 

Depois do nascimento do Iohan, da comunidade de Pinhel a criançada adotou o Amigo Cuidador Abaré para nascer e ver de perto a turma que leva saúde para o povo ribeirinho. Nesta semana, o Aldery, Técnico responsável  pela recepção no navio nos enviou um email e as fotos de cortesia.

“Boa novas…
Nascido nesta semana, o mais novo comunitário da RESEX, parto feito no N/H ABARÉ – O Salomão“.
E recebendo todos os cuidados e também o carinho da enfermeira Marcela Brasil, responsável na área do município de Santarém.

E a turma que estar em sede, deseja muita Saúde e Alegria e bem vindo ao mundo!

Nasceu na unidade de Saúde Móvel Fluvial Abaré. No dia 09/10/10, às 01:55h Parto normal, pesando 3.375kg, medindo 49cm do sexo masculino assistido pelo médico Iohan. Mãe a sra. Receonira Mota da comunidade de Pinhel do municipio de Aveiro pai sem informação.Por vontade da mãe o menino se chama Iohan o nome do médico. Foi realizado todos os cuidados de enfermagem com a mãe e RN. O RN recebeu nitrato de prata, Vit k, vacinas Hep B e BCG.Tudo que é preconizado pelo MS.

Enfa. Rosilene Lima de Almeida
Saúde Comunitária

Nesta rodada de atendimento do  Navio Abaré as equipes de saúde levam  atendimentos para trinta e oito comunidades da região da Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns nas margens do rio Tapajós. Vamos as datas:

No dia 23 de Outubro, será na comunidade de Parauá. E no período da tarde atenderá em Pajurá, Limãotuba, Brinco das Moças e Cabeceira do Amorim.

No dia 24, atende pela manhã em Enseada do Amorim. E a tarde a comunidade de Vila de Amorim

Dia 25, o Abaré faz seu atendimento pela manhã em Cabeceira do Ukena e Mapiri. E a tarde em Suruacá.

Dia 26, o atendimento será em Capixauã e Vista Alegre do Capixauã pela manhã. E a tarde em Solimões e Pedra Branca.

Dia 27, atenderá em Anumã e Carão pela manhã. E a tarde em Santi, Curipatá e Maripá.

Dia 28, Vila Franca fechando o atendimento.

Até mais.

Entrevista realizada no dia 13 de Setembro de 2010, na comunidade de Suruacá. Djalma Lima, Agente Comunitário de Saúde e repórter da Rede Mocoronga com a Dra. . Silvia Kitadai da Universidade de Santo Amaro/SP que acompanhou a rodada do dia 06 à 16 de Setembro no  Navio Abaré nas comunidades da Reserva Extrativista Tapajós Arapiun, no rio Tapajós .

Djalma Lima: Dr. Silvia como estar  a saúde  dos olhos de nossas crianças em Suruacá?

Dra. Silvia Kitadai: Bom dia, meu povo aqui do Tapajós, estou aproveitando aqui essa oportunidade pra contar pra vocês que não é so aqui nessa comunidade, mas em todas as outras que eu passei aqui na Resex, que as crianças estão com os olhos vermelhos, lacrimejando, irritado, coçando e isso ocorre devido uma doença  chamada de Conjuntivite por Tracoma (Doença dos olhos, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, que ocorre principalmente em crianças. O tratamento é  fácil e se não for realizado pode prejudicar a visão), que é muito frequente aqui na região, para prevenir  isto, tem que lavar o rosto e as mãos várias vezes ao dia, de preferência com água e sabão e  se não tiver  o sabão só a água é suficiente. Lava a mão, e depois lava o rosto de manhã, na hora do almoço e a noite. Além disso, prevenir também,  o uso de rede em comum, era bom que cada um pudesse ter a sua rede, sua toalha, para evitar que passe a conjuntivite de uma pessoa pra outra. Acho bastante importante que também se lembre que a comida, alimentação é importante para vista, então se vocês puderem comer alimentos quem contém a vitamina A, vai ter mais força na visão e esses alimentos podem ser o: gerimun, as verduras de cor verde escura que elas contém a vitamina A.

Djalma Lima: Já deu ver ver que a  higiene é fundamental e alimentação também. Nós também junto com  o Saúde e Alegria aprendemos fazer a multimistura, têm o pó da macaxeira, castanha do pará, cajú, isso também é importante?

Dra. Silvia Kitadai: Com certeza, então na  hora que não têm uma verdura, uma fruta naquelas horas  que é a entre safra, essa mistura provavelmente é ideal para suprir a necessidade da vitamina A. A vitamina faz com que agente tenha a visão mais forte,  enchergue a noite e melhor. Quem têm dificuldade de enchergar à noite,  com certeza tá com pouca vitamina A. Outra coisa importante, é que aquelas crianças que eventualmente vão ganhar os óculos, que cuide direitinho dos óculos para não quebrarem logo de saída  e use de forma contínua não fique usando só na escola ou de forma interrupta. E é bastante importante saber que cada comunidade tem que fazer um esforço para diminuir essa conjuntivite por Tracoma, porque eu sei que é um orgulho ter uma internet na comunidade, ter telefone celular mas o orgulho maior devia ser  não ter mas Tracoma na comunidade. Então quando eu voltar daqui alguns meses, agente vai tá revendo e nós vamos ver quais são  as comunidades que diminuíram  o número de Tracoma.

Djalma Lima: Lembrando à todos os Agentes Comunitários de Saúde em todos os lugares é bom alertar para este fato que a doutora coloca aqui é muito importante.

A equipe do núcleo de saúde comunitária do Projeto Saúde e Alegria (PSA), irá seguir viagem no navio Abaré por todo o ano de 2010. Nele encontram-se uma turma diversificada de profissionais que levam além da saúde ao povo dos rios Tapajós, Amazonas e Arapiuns muita alegria também, como diz o trecho da nossa música educativa “criança que nunca brinca é bicho doente e feio”. Então embarcaram quatro “palhaços” arte educadores para transformar essa viagem um pouco mais alegre e cheia de informação para as comunidades atendidas pelo núcleo.

Aqui o cronograma da 1ª viagem:

Dia da semana

Comunidade

Data

Período/

hora

Nº de Famílias

Consultas Médica

Consultas Odonto

Quarta

Rio Cuparí (Tavil, Godinho, Açaituba, Dois Irmãos, S. Franc. Chagas, Uruará, Flexal, S. Raimundo).

03/02

M/07:30

170

30 (*)

10

TARDE: DESLOCAMENTO P/ ESCRIVÃO

Quinta

Escrivão

04/02

M/07:30

50

15

06

Quinta

Camarão

04/02

M/07:30

11

8

04

Quinta

Pinhel

04/02

T/ 13:30

49

15

08

Sexta

Cametá

05/02

M/07:30

105

25

10

Sexta

Andurú

05/02

M/07:30

19

10

04

Sexta

Itapuãma

05/02

T/ 13:30

14

10

04

Sábado

Jutuarana

06/02

M/07:30

11

8

04

Sábado

Paraíso

06/02

M/07:30

14

10

04

MUNICÍPIO DE BELTERRA

Sábado

Itapaiuna

06/02

T/ 13:30

40

15

10

Domingo

Prainha I e II

07/02

M/07:30

43

15

10

Domingo

Taquara

07/02

T/ 13:30

28

12

08

Segunda

Pini

08/02

M/07:30

26

12

08

Segunda

Tauarí/Chibé

08/02

T/ 13:30

49 + 35

20

08 + 04

Terça

Bragança

09/02

M/07:30

10

7

04

Terça

Marituba

09/02

M/07:30

29

12

08

Terça

Marai

09/02

T/ 13:30

16

10

04

Terça

Nazaré

09/02

T/ 13:30

38

15

08

Quarta

Piquiatuba

10/02

M/07:30

73

20

10

Quarta

Pedreira

10/02

T/ 13:30

65

16

10

Quinta

Jaguarari

11/02

M/07:30

21

12

08

Quinta

Acaratinga

11/02

M/ 07:30

23

12

08

Quinta

Jamaraquá (Abaré)

11/02

T/ 13:30

17

10

04

Sexta

Maguari

11/02

T/ 13:30

80

20

08

Sexta

São Domingos/ Santa Cruz –  Retorno Stm

12/02

M/ 07:30

52

15

10

“Quando aparece uma oportunidade dessas, a gente agarra com toda força e vai em frente”. Foi esse o sentimento que a jovem Derlane Silva de Souza, de 17 anos, demonstrou quando saía de barco da sua comunidade chamada Novo Horizonte. A oportunidade a que ela se refere, é a Primeira Jornada Odontológica que estava começando na comunidade de Cachoeira do Aruã, a quase 12 horas de distância em viagem de barco da cidade de Santarém, PA.

Entre os dias 23 até o dia 29 deste mês, cerca de 750 moradores de 53 comunidades da região do Rio Arapiuns e Maró tiveram a oportunidade de receber um tratamento especial na área da saúde bucal, através de um trabalho feito em parceria pelo Projeto Saúde e Alegria, Secretaria Municipal de Saúde de Santarém, Terre des Hommens Holanda e o International College of Dentists (Colégio Internacional de Dentistas) – ICD. O desafio era enfrentar a grande demanda por tratamento odontológico existente nessas comunidades, principalmente pela dieta baseada em carboidratos (peixe e farinha), alto consumo de açúcar, água sem tratamento com flúor e falta de escovação, além das dificuldades de acesso aos serviços de saúde, para a prevenção das cáries.

Como fazer isso em uma realidade de grandes distâncias, dificuldades de locomoção e exigência de infraestrutra móvel, que coloca as políticas públicas e ao terceiro setor muitos desafios para realizar o atendimento à população que necessita? Somando esforços e trabalhando em parceria. Foi assim que foi montada a jornada odontológica.

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Fábio Tozzi atende a criança doente

Ainda começava a anoitecer na comunidade de Prainha, localizada na Floresta Nacional do Tapajós, município de Belterra, quando a equipe da Rede Mocoronga chegou no Barco Saúde & Alegria e ancorou ao lado do Abaré, o outro barco do projeto que atende 73 comunidades da região.

Nossa equipe estava em uma visita de monitoramento das atividades do programa de inclusão digital do PSA, acompanhada de Cristina Hoffman representante da LAZ – Lateinamerika Zentrum (Centro América Latina) organização que apóia a implantação de telecentros comunitários com recursos da Comissão Européia. Read the rest of this entry »

Abaré, o Amigo Cuidador

A unidade móvel de saúde Abaré, do Projeto Saúde & Alegria, retoma suas atividades no Rio Tapajós. Nós iremos apresentar aqui, todos os meses, o percurso que o Abaré fará mensalmente, para que você possa se beneficiar do Programa de Saúde na Floresta que estará na frente de sua comunidade.

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