Circo Mocorongo

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A comunidade de Jaguarari no município de Belterra/PA, recebeu a equipe de Arte Educação do Navio Abaré para várias atividades, uma delas foi as brincadeiras de roda, pintura, desenho e muita informação também.

Neste mesmo dia, a comunidade estava mobilizada para a palestra: Aleitamento Materno e Aproveitamento dos alimentos na comunidade realizado para os membros da CLIS ( Comissão Local Integrada de Saúde) e no final do dia apresentação do Circo Mocorongo com os temas trabalhos na comunidade.

Já é marca da registrada em todos os eventos e atividades nas comunidades do Projeto Saúde & Alegria, a apresentação do Gran Circo Mocorongo, um espetáculo apresentado pela equipe do projeto e os comunitários para educar, valorizar a cultura local e traduzir através da arte e do lúdico, todos os temas trabalhados pelo projeto, seja na área da saúde, como no meio ambiente, na geração de renda e na organização comunitária.

E desta vez não será diferente. A equipe do Saúde & Alegria já se prepara para apresentar o Circo Mocorongo numa ocasião mais do que especial, a inauguração do Navio Abaré de atendimento em saúde para as comunidades ribeirinhas, que acontecerá na tarde do dia 22 na orla de Santarém.

Entre preparar a programação do evento, a logística, a mobilização das comunidades, os artistas do Circo Mocorongo, que são médicos, enfermeiros, agrônomos, técnicos das diversas áreas e educadores, arranjam tempo para os ensaios que estão à todo vapor.



Ensaios do Circo


A proposta é levar Saúde e Alegria aos povos da floresta

Foto: José Egas

No dia 22 de agosto um barco vai navegar pela primeira vez as águas azuis do Rio Tapajós, no município de Santarém e Belterra, no Pará. Ele não vai à procura de peixe, nem mesmo transporta turistas. Sua equipe será composta de médicos, enfermeiros e educadores, que percorrerão as comunidades ribeirinhas para dar resposta a um dos seus maiores desafios: a melhoria do acesso aos serviços de saúde. O Barco construído em Manaus, chegou em Santarém no último dia 03 de agosto. Será inaugurado oficialmente no dia 22 à tarde numa cerimônia na Orla de Santarém como parte do II Encontro do Programa Saúde na Floresta, partindo no dia seguinte para iniciar os trabalhos na região do Tapajós.

Não por coincidência, o barco ganhou o nome de Abaré – sugerido pelos próprios comunitários a serem beneficiados – que em tupi significa o cuidador ou individuo dedicado aos demais. Ajudar a construir saúde nas comunidades ribeirinhas, levando os serviços essenciais e educação será tarefa principal desta embarcação, equipada para funcionar como uma unidade móvel de atenção básica à saúde.

A iniciativa compõe o Programa Saúde na Floresta, capitaneado pelo Projeto Saúde & Alegria – PSA – com o apoio da Terre des Hommes Holanda (TdH-NL), em conjunto com as Prefeituras Municipais de Santarém, Belterra e Aveiros, Federações das Comunidades da Flona Tapajós, Resex Tapajós-Arapiuns, Gleba Lago Grande, Conselho Nacional do Seringueiros e Sindicatos de Trabalhadores Rurais das regiões envolvidas.

Através do Programa Saúde na Floresta, iniciado em julho de 2003, o PSA – que atua desde 1987 na região promovendo ações de desenvolvimento comunitário sustentável – ampliou sua cobertura direta de 31 para 143 localidades situadas principalmente na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, Floresta Nacional do Tapajós e áreas de entorno, beneficiando uma população de aproximadamente 5000 famílias, perfazendo um total de quase 30 mil pessoas.

Em sua primeira etapa, com o apoio complementar do BNDES ao suporte que já vinha sendo dado pelo TdH-NL, o Programa priorizou a melhoria das condições de higiene e saneamento, beneficiando aproximadamente 2500 famílias com sistemas de água encanada em suas próprias casas, outras 1500 famílias com água de qualidade oriunda de poços semi-artesianos, praticamente 100% da população envolvida – 5000 famílias – com pedras sanitárias, filtros de água e acesso ao cloro para tratamento da água de consumo. Tudo isso sempre acompanhado de um forte trabalho educativo e de organização comunitária através da implantação de rádios comunitárias para mobilização em saúde, instalação de rádio-amadores para agilizar a comunicação campo-cidade, e realização regular de oficinas preventivas de capacitação em higiene e saneamento para os moradores.

O programa trouxe impactos positivos imediatos na saúde das comunidades, principalmente pelo acesso à água tratada e melhoria das condições sanitárias, como afirma o Agente Comunitário de Saúde, Djalma Lima, da localidade de Suruacá: “pudemos evitar doenças simples, mas que acabavam se tornando graves, como a diarréia que afetava principalmente as crianças. Hoje a mortalidade infantil diminuiu bastante”, afirma.

As características peculiares da região amazônica, como as longas distâncias, dificuldades de transporte e comunicação geram o grande desafio da inclusão das comunidades ribeirinhas aos serviços básicos de saúde. Dona Conceição Pantoja, moradora da comunidade de Jamaraquá, na Flona Tapajós, afirma que nos casos de doença, “é preciso fazer um longo deslocamento daqui da comunidade até Santarém ou Belterra. As estradas são bem difíceis e pelo rio são horas de viagem. Além disso, é difícil a condição financeira para se manter na cidade acompanhando um doente”.

Caetano Scannavino, coordenador do PSA, reforça essa realidade: “a saúde no Brasil ainda é um desafio. Mais ainda no contexto dos municípios amazônicos, com dotações orçamentárias limitadas e enorme demanda. Um ponto importante a destacar no Programa Saúde da Floresta é o conjunto de parcerias firmadas no sentido de somarmos esforços de forma integrada com as Prefeituras para oferecermos respostas a este desafio. Acreditamos ainda que o Programa poderá se constituir numa referencia demonstrativa contribuindo como um exemplo concreto para sua replicação via políticas publicas em outras regiões”.

E vai além: “Nesta primeira etapa, focamos no saneamento. O próximo passo é o fortalecimento do componente assistencial. O inicio do funcionamento da “ambulancha” em 2005 para o atendimento de casos de emergência e a entrada na água do barco Abaré são marcos históricos neste sentido”.

Cabe lembrar que tudo isto só foi possível através do apoio do Terre des Hommes Holanda – uma organização sem fins lucrativos que se dedica a apoiar projetos sociais ao redor do mundo – parceira do Projeto Saúde e Alegria desde 2001 em atividades de prevenção e atenção à saúde, e também responsável pelo financiamento da construção e equipagem da lancha-ambulância (“ambulancha””) e do barco Abaré.

“A ambulancha e o barco Abaré de atendimento em saúde são exemplos de soluções concretas com a qual podemos influir na vida de milhares de pessoas. É uma grande satisfação para Terre de Hommes Holanda poder ser parceira em um projeto deste porte”, comenta Patrick Krens, Coordenador Regional do TdH-NL.

O Prefeito de Belterra, Sr. Geraldo Pastana, ressalta que a parceria, agora com a incorporação do barco, fortalecerá o serviço de saúde no município: “Na verdade, estamos criando uma rede integrada, formada pelo barco, o Programa Saúde da Família e os Agentes Comunitários de Saúde na margem direita do rio Tapajós”.

Seu João Lopes, presidente da Federação das Comunidades da Flona Tapajós, comemora: “Imagine só a grande expectativa que isto cria em nós. Só para dar um exemplo, antes eu tinha um pequeno barco que transportava doente para Santarém em 14 horas de viagem. Imagine agora nós podermos ter dentro da Flona e na Resex um barco que vai atender as comunidades lá mesmo. Esse barco vai trazer mais alegria, mais vontade de viver na zona ribeirinha, viver com saúde na floresta!”, argumentou.

O barco vai atuar nas duas margens do rio Tapajós para oferecer acesso aos programas da atenção básica como pré-natal, PCCU, planejamento familiar, hiperdia, imunizações, saúde oral, saúde da criança, atendimentos médicos, pequenas cirurgias, atendimentos ambulatoriais e realizações de exames de rotina preconizados no programa.

A educação para promoção e proteção à saúde será uma das principais bandeiras do Barco por onde passar, juntamente com a rede de Agentes Comunitários de Saúde – ACS. Esse é também o entendimento do ACS Djalma Lima: “Esse barco vai trazer várias mudanças não só de assistência, mas em termos de prevenção também. O trabalho preventivo torna a assistência menos necessária e com menos gastos”, destaca.

A integração com as Políticas Públicas será outro componente importante do Projeto. Através das parcerias com as prefeituras municipais, a proposta é integrar os serviços do Barco ao Sistema Único de Saúde – SUS, aprimorando as bases para consolidar um modelo de atenção à saúde que seja apropriado para as populações ribeirinhas da Amazônia.

Após sua inauguração no dia 22, o Barco vai fazer sua primeira viagem de atendimento até a comunidade de Maguari e Jamaraquá, na Flona Tapajós, no município de Belterra. É lá que mora dona Conceição Pantoja que aguarda com expectativa a chegada do Barco. “A gente vai ficar muito feliz, porque isso era um sonho que a gente está vendo ser realizado. Aqui na nossa comunidade, vamos mobilizar todo mundo para ver juntos a hora que ele chegar, vai ser uma grande festa”, comemora Dona Conceição.


O Projeto Saúde & Alegria – PSA – atua na Amazônia desde 1987 em comunidades extrativistas dos rios Amazonas, Tapajós e Arapiuns, localizadas na zona rural dos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro – oeste do Estado do Pará. A partir de 2003, iniciou de forma gradual a ampliação de sua área de cobertura para 143 localidades, envolvendo cerca de 29 mil beneficiários.

Tem por objetivo apoiar processos participativos e integrados de desenvolvimento comunitário global e sustentado, geridos pela própria população, interativos e alterativos às políticas públicas, e capazes de se multiplicar a partir das dinâmicas e realidades locais, contribuindo de maneira demonstrativa com experiências concretas na constituição de políticas sociais e ambientais na Amazônia.

Conta com uma equipe interdisciplinar de médicos, agrônomos e educadores das diversas áreas que visita regularmente para as comunidades promovendo o Desenvolvimento Integrado através de ações voltadas para a organização comunitária; saúde; produção e manejo agroflorestal; geração de renda; educação, arte e cultura; gênero; infância e juventude; comunicação popular e pesquisa participativa.

Saiba mais sobre nosso trabalho no site:
www.saudeealegria.org.br