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“Quando aparece uma oportunidade dessas, a gente agarra com toda força e vai em frente”. Foi esse o sentimento que a jovem Derlane Silva de Souza, de 17 anos, demonstrou quando saía de barco da sua comunidade chamada Novo Horizonte. A oportunidade a que ela se refere, é a Primeira Jornada Odontológica que estava começando na comunidade de Cachoeira do Aruã, a quase 12 horas de distância em viagem de barco da cidade de Santarém, PA.

Entre os dias 23 até o dia 29 deste mês, cerca de 750 moradores de 53 comunidades da região do Rio Arapiuns e Maró tiveram a oportunidade de receber um tratamento especial na área da saúde bucal, através de um trabalho feito em parceria pelo Projeto Saúde e Alegria, Secretaria Municipal de Saúde de Santarém, Terre des Hommens Holanda e o International College of Dentists (Colégio Internacional de Dentistas) - ICD. O desafio era enfrentar a grande demanda por tratamento odontológico existente nessas comunidades, principalmente pela dieta baseada em carboidratos (peixe e farinha), alto consumo de açúcar, água sem tratamento com flúor e falta de escovação, além das dificuldades de acesso aos serviços de saúde, para a prevenção das cáries.

Como fazer isso em uma realidade de grandes distâncias, dificuldades de locomoção e exigência de infraestrutra móvel, que coloca as políticas públicas e ao terceiro setor muitos desafios para realizar o atendimento à população que necessita? Somando esforços e trabalhando em parceria. Foi assim que foi montada a jornada odontológica.

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Enchentes prejudicaram a qualidade da água nas comunidades ribeirinhas

No mês de maio e junho, em plena época de chuva, foi realizada uma pesquisa da qualidade de água nas duas margens do Rio Tapajós. A pesquisa fez parte das ações do barco Abaré na FLONA e RESEX e mostrou resultados preocupantes: em todas as comunidades pesquisadas a água era de qualidade comprometida.

Água de qualidade boa, chamada de água pura, deve ser totalmente transparente e inodora, sem gosto,  nem cheiro. Também não deve ter elementos químicos indesejáveis como nitritos e nitratos e não pode ter bactérias. A pesquisa, realizada pela equipe do Abaré, as Prefeituras de Santarém e Belterra e pesquisadores voluntários, teve foco nestes elementos.

Doutor Fábio Tozzi, coordenador do núcleo de Saúde Comunitária do PSA disse, sobre os resultados: “Na maior parte das comunidades a água era transparente e inodora, mas nós observamos em todas a presença de bactérias, principalmente das bactérias que são de um grupo chamado coliformes”. Coliformes são bactérias que se encontram nos esgotos e nas fossas e entram a água através do contato da água de boa qualidade com os dejetos humanos ou de animais.

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A partir do dia 24 de julho, a unidade móvel de saúde Abaré estará navegando no Rio Arapiuns para realizar uma jornada de odontologia. Até o dia 29, os comunitários que foram triados serão atendidos por uma equipe interdisciplinar do Projeto Saúde e Alegria, da Secretaria Municipal de Saúde de Santarém e do Colégio Internacional de Dentistas e . O Colégio Internacional de Dentistas é a organização internacional de odontologia mais reconhecida no mundo, e tem como objetivo avançar a ciência de odontologia para a saúde e o bem-estar do público num nível internacional.

Por que fazer uma jornada só de odontologia? “Temos observado enorme incidência de carie dentaria e patologias afins na população atendida pelo projeto”, explica Doutor Fábio Tozzi, coordenador do Núcleo de Saúde Comunitária do PSA.  As causas deste problema: dieta rica em carbohidratos, falta de higiene oral, água sem tratamento e sem adição de flúor. E por fim, a dificuldade de acesso a serviços de saúde.

A jornada benificiará cerca de 900  moradores de 63 comunidades do Rio Arapiuns e Maró. Será dada preferência à população mais jovem, com enfoque às crianças em idade escolar.

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O povo da Amazônia é considerado o povo das águas, acostumado à vivência cotidiana com o rio que é ao mesmo tempo seu sustento, seu caminho e sua alma, de onde surgem não apenas os peixes, mas também os mitos e lendas que alimentam seu imaginário e sua cultura. Essa vida quase de uma liturgia diária com o rio, tem seus ciclos aos quais o povo já se acostumou e para os quais sempre teve explicações. Enchentes e vazantes dos rios, sempre trouxeram consigo significados importantes, de que a natureza sempre se renova, trazendo nova vida para as pessoas também.

Porém cada vez mais são comuns fenônemos naturais exagerados que pôem em risco não apenas as certezas dos conhecimentos tradicionais, mas principalmente a sobrevivência das populações que vivem no contato direto com a natureza. É o caso das populações ribeirinhas. Em 1995 uma grande seca dos rios da Amazônia deixou milhares de comunidades isoladas. E neste ano, estamos vivenciando o que vem sendo chamada de a maior enchente de todos os tempos, com os rios atingindo a marca de mais de 9 metros, o maior índice já documentado.

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É muito dificil relatar os dias de atendimento na enchente maior, vista por moradores da FLONA/RESEX de Belterra e Aveiro. Pessoas viram suas casas aos poucos sendo invadida pelas aguas, estão chegando as doenças como diarreia, vômito, infecção respiratoria, amebiase, e outras patologias relacionadas ao fator hidrico. Não podia ser diferente com a analise da água nesta área. É preocupante ver pessoas alojadas em barracões comunitários, se perguntando: “quando a enchente passar, aonde vou morar?” Quando pensamos nas diretrizes dos SUS, sabemos que saude é ter moradia, segurança … Essa enchente é com certeza uma grande lição para todos, não so para a família ABARÉ.

Fala-se muito do meio ambiente, da preservação, da alimentação alternativa. Apreensão de madeira, sem teto, sem terra… O nosso estado é campeão e não é de hoje. E sim ficaremos a esperar uma cheia? O que faremos? CIDADANIA! CONTROLE SOCIAL! Belissimo! E os ribeirinhos, o que esperam de todos nós?

No dia 11 de maio a unidade móvel de saúde ABARÉ saiu de novo da cidade de Santarém para fazer mais uma viagem de atendimento médico. No mês de maio, o barco atenderá comunidades na Floresta Nacional do Tapajós e na Reserva Extrativista do município de Aveiro. Acompanhe o calendário desta viagem!

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É legal ter cachorro, mas tem que cuidar também! O animal pode transmitir doenças para seres humanos. A equipe do Abaré está tentando, mediante a Secretaria Municipal de Saúde de Santarém, garantir a vacinação animal contra a raiva. Nas últimas viagens do Abaré em março e abril, a equipe da Prefeitura também realizou coleta de sangue dos cachorros na RESEX - Tapajós. O motivo era tentar detectar uma doença chamada leishmanioze ou calazar. É uma doença que afeta pessoas e alguns animais. Através da coleta de sangue, o Agente Comunitário de Saúde pode fazer um exame sorológico, só assim podemos identificar os cachorros doentes. Se o cachorro estiver doente, ele deve ser recolhido e eutanasiado.

Com apoio dos comunitários, a equipe da Prefeitura faz coleta de sangue nos cachorros

O risco para crianças pegarem essa doença é grande, é importante prevenir! Os sintomas são febre, diarréia e aumento do abdômem (barriga grande). Se seu cão estiver apresentando estes sintomas, procure o serviço de saúde do seu município.

Por Jacobien Nagel

O Abaré terminou o primeiro trimestre do ano com ótimos resultados. Os meses de março e abril se destacaram pelas viagens na RESEX-Tapajós, município de Santarém: 1059 consultas médicas foram realizadas nas comunidades ribeirinhas. Além de consultas, pequenas cirurgias e outros tipos de atendimento médico, o pessoal da prefeitura de Santarém e a equipe do PSA trabalhou muito para enfocar na prevenção de doenças.

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O príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, está em visita ao Brasil desde a última quarta-feira (11) tendo uma agenda pautada nas questões ambientais, especialmente sobre os efeitos da mudança climática no mundo. Depois de encontrar-se com o Presidente Lula em Brasília, o príncipe acompanhado de sua esposa, a duquesa de Cornualha Camilla, já estiveram também no Rio de Janeiro e em Manaus. Amanhã, sábado (12) o príncipe chegará em Santarém (PA) para visitar os projetos de desenvolvimento sustentável realizados na Floresta Nacional do Tapajós e o trabalho social desenvolvido pelo Projeto Saúde & Alegria - PSA na região.

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Estivemos na comunidade do Porto Novo no dia 20/02/09, aonde a equipe de saude de belterra comandou os atendimentos em saude, realizando atendimentos; médicos, enfermagem, odontologico e outros. O prefeito Geraldo Pastana se fez presente com sua equipe. Esta foi a primeira experiencia que fizemos no municipio de atender em area que não faz parte da FLONA. agradecemos ao secretário de saúde e sua maravilhosa equipe.

Fábio Tozzi atende a criança doente

Ainda começava a anoitecer na comunidade de Prainha, localizada na Floresta Nacional do Tapajós, município de Belterra, quando a equipe da Rede Mocoronga chegou no Barco Saúde & Alegria e ancorou ao lado do Abaré, o outro barco do projeto que atende 73 comunidades da região.

Nossa equipe estava em uma visita de monitoramento das atividades do programa de inclusão digital do PSA, acompanhada de Cristina Hoffman representante da LAZ – Lateinamerika Zentrum (Centro América Latina) organização que apóia a implantação de telecentros comunitários com recursos da Comissão Européia. Continuar lendo este artigo »

Abaré, o Amigo Cuidador

A unidade móvel de saúde Abaré, do Projeto Saúde & Alegria, retoma suas atividades no Rio Tapajós. Nós iremos apresentar aqui, todos os meses, o percurso que o Abaré fará mensalmente, para que você possa se beneficiar do Programa de Saúde na Floresta que estará na frente de sua comunidade.

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No período de 24 de novembro a 04 de dezembro será realizada a campanha de coleta do material para o exame de prevenção do câncer do colo do útero na Resex-Santarém.  Os exames serão realizados na Unidade Móvel Fluvial de Saúde Abaré.

Muitas mães ficam preocupadas com o desmame: o que vou dar para meu filho? Mãe esquece o mingau! A natureza te oferece a alternativa melhor pra seu filho. O açaí é um destes sabores.

Foto Antonio Martins

Em um trabalho conjunto do Projeto Saúde e Alegria (PSA) a ONG Expedicionários da Saúde e a Secretaria Municipal de Saude (SEMSA) realizaram a terceira jornada de cirurgia dos rios Tapajós e Arapiuns.

Desta vez a população beneficiada foi a das comunidades ribeirinhas do Rio Arapiuns.

Para tanto durante este ano nas quatro viagens de atendimento programadas pela SEMSA e PSA foram triados 274 pacientes que poderiam ser submetidos as cirurgias.

No período de 1 a 8 de agosto o Abaré esteve na comunidade de Cachoeira do Aruã onde foram realizadas 132 cirurgias.

Dentro do Abaré foi implementado um centro cirúrgico moderno e eficiente, o material utilizado foi doado por fabricantes de materiais hospitalares aos Expedicionários da Saúde que trouxeram o que existe de mais moderno nas área de cirurgia oftalmológica e geral.

Das 132 cirurgias realizadas 58 foram cirurgias oftalmológicas e 78 gerais entre cataratas, pterígio, hérnias, pequenos tumores, lábios leporinos e outras cirurgias de médio e pequeno porte. Além das cirurgias foram feitas mais de 192 consultas oftalmológicas.

A equipe de saúde composta por 14 médicos, enfermeiros e técnicos oriundos das três entidades (PSA/Expedicionários/Semsa) comemoraram ao final o sucesso desta jornada e as 427 cirurgias já computadas nas três jornadas realizadas.

Trata-se de mais um beneficio ás populações ribeirinhas dos rios Tapajós e Arapiuns fruto da parceria entre a Semsa, PSA e Expedicionário da Saúde.

A rotina dos profissionais embarcados no Abaré seria comum a qualquer unidade de atendimento em saúde de qualidade se não houvessem alguns elementos peculiares da realidade da amazônia e do trabalho do PSA: o próprio fato de estarem em um navio, o lúdico para a educação, o elemento rio e o isolamento em que se encontram a maioria das comunidades atendidas. Apenas levar assistência e cuidados básicos de saúde já justificaria o esforço da equipe. Mas são casos como o de Erito, como nos conta Fábio Tozzi, médico do Abaré, que mostram ainda mais a importância do trabalho desenvolvido:

“O Erito foi um paciente, uma criança de nove meses atendida no Abaré, numa situação inusitada porque nós estávamos na margem direita do rio Tapajós e de repente no meio de um outro atendimento recebemos uma bajara que tinha atravessado o rio da margem esquerda para a direita. Naquela altura o rio é muito largo, com mais de 15 km.

Na canoa estava um casal com a criança no colo, inconsciente, chocada, numa situação clínica crítica, pedindo que a gente atendesse a criança. A gente realizou o atendimento que foi um caso de ressuscitação, pois a criança estava chocada, há vários dias em estado de coma, um quadro infeccioso bastante grave proveniente de uma diarréia. E nós tratamos aquela criança no meio do rio Tapajós! O atendimento passou por diversas etapas até tirar a criança daquela situação muito crítica e depois transportá-la até Santarém, levando todos os equipamentos que nós tínhamos no barco: monitorização de saturação de oxigênio, eletrocardiograma, soro, secção venosa, antibiótico. Enfim, tudo aquilo para trazer ela num estado estável até o pronto-socorro da cidade de Santarém, quando ela recebeu a continuidade do tratamento.

Foi uma experiência emocionante porque era uma situação crítica, inusitada, que exigiu uma atenção especial, que a estrutura do Abaré conseguiu dar, fazendo um suporte hemodinâmico e respiratório para que a criança fosse transportada a tempo até Santarém. A gente viu que o Abaré começa a mudar um pouco o perfil de atendimento nas comunidades ribeirinhas. Apesar de estar preparado para os atendimentos básicos, ele consegue também dar suporte nessas situações mais críticas. E tivemos a grande satisfação de ver agora a criança viva e feliz com seus pais”.

Depoimento de Estrela dos Santos Oliveira:

“Aconteceu é que a mais de um mês meu filho começou a ficar doente com uma grande diarréia… A gente mora muito longe da cidade. Só tem barco duas vezes na semana para a cidade, e a distancia é de 15 horas de viagem de Santarém. Quando nós vimos que o caso dele era grave, fomos procurar um pajé. Ele benzeu, rezou, mas disse que não ia dar jeito. Ele mesmo nos orientou que viéssemos para a cidade procurar ajuda, mas a gente não tinha como vir”.

Seu Lucivaldo Caetano Monteiro:

“Ficamos sabendo que o Abaré estava na outra margem do rio. Atravessamos de bajara até lá e fomos logo atendidos. A gente tinha ouvido falar desse Abaré, mas eu nem acreditava muito. Só acreditei quando estava lá dentro com meu filho sendo atendido. Eu achei que foi um caso muito triste e ao mesmo tempo bom, porque não tínhamos muita esperança que nosso filho ia viver. Mas os doutores ajudaram muito nós, toda a equipe do Abaré, e graça a eles meu filho está bem”.

O casal Estrela dos Santos Oliveira e Lucivaldo Castro e seu filho Erito Oliveira de apenas nove meses, moradores da comunidade de Jauarituba, na margem esquerda do rio Tapajós.

A seca que afeta o nível do rio não impede o Abaré de navegar pelo Tapajós e de levar atendimento médico de qualidade às comunidades ribeirinhas. Quem vê a enorme Unidade Móvel de Saúde do Projeto Saúde e Alegria (PSA), mal sabe que debaixo da água há apenas 80 centímetros de calado, permitindo que a embarcação encoste próximo da margem. Nas duas primeiras viagens do Abaré, realizadas em outubro e novembro em 22 comunidades da Floresta Nacional do Tapajós no município de Belterra, 1.066 pessoas receberam atendimento médico, 191 passaram pelo atendimento odontológico, 266 ribeirinhos foram vacinados e 406 exames ambulatoriais foram feitos. Até o final do ano, esse retrato de saúde aumentará, com novas saídas previstas, pontilhando novamente com saúde as margens do rio Tapajós.

Receber um tratamento de saúde humanizado, que chega na porta de casa, é novidade para Edinéia Castro de Azevedo, de 28 anos, moradora da comunidade de Maguari, que há mais de um mês precisava levar a pequena Diana, de 7 meses, ao serviço de saúde. De uma só vez, a criança foi examinada pelo médico, realizou os exames necessários e recebeu o remédio correto para sanar a enfermidade. “É uma oportunidade boa que a gente está tendo, uma melhoria, porque antes tinha que ir até Belterra. Aqui com certeza a gente será bem atendida, conta Edinéia, satisfeita. Opinião semelhante tem Joaquim Pedroso, de 60 anos, também de Maguari. Depois da consulta e a realização de exames no Abaré, ele recebeu o remédio para combater a pressão alta. “É bom que tudo é feito na hora”, afirma.

A atuação do Abaré é um verdadeiro trabalho em equipe. Além de médicos e enfermeiros, palhaços se juntam à caravana arrancando sorrisos e educando as pessoas. Profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Belterra já ajudaram a equipe do PSA nas campanhas de vacinação, demonstrando na prática que é possível fazer a integração da Unidade Móvel à rede pública de serviços de saúde. Nas comunidades, o funcionamento do Abaré vem fortalecendo o trabalho de organização comunitária e educação popular em saúde. Agentes comunitários realizam campanhas preventivas e fazem a triagem dos pacientes a serem atendidos. Comissões locais de saúde também mobilizam a comunidade para ficar preparada para a chegada da embarcação.

O Abaré, que na língua tupi significa “amigo cuidador”, está equipado com sala odontológica, consultórios, sala de repouso e observação, equipamentos para exames laboratoriais e preventivos completos - como pré-natal e coleta de PCCU (prevenção ao câncer do colo do útero) -, imunizações, saúde bucal, pequenas cirurgias, entre outros. Dispõe de instrumentos de comunicação e educação, com espaço para palestras e oficinas de capacitação, e tem como suporte uma ambulancha, que facilita o resgate em caso de emergência. A embarcação busca oferecer acesso aos programas de atenção básica à saúde para 2.500 famílias em mais de 70 comunidades do rio Tapajós nos municípios de Aveiro, Belterra e Santarém.

“Nestes meus 23 anos de profissão dedicados à medicina pública, nunca havia visto condições de trabalho tão boas, atendimento digno, e resolutividade a nível primário. O Abaré leva a equipe bem próxima às comunidades ribeirinhas e permite um atendimento médico e odontológico de qualidade. As facilidades dos seis computadores de bordo também permitiram o registro dos prontuários, coleta de dados laboratoriais e das patologias encontradas. Acredito estar participando da construção de um modelo de atendimento médico plenamente adaptado para essas populações isoladas”, afirma Fabio Tozzi, médico do Projeto Saúde e Alegria.

Notícias para ler o ouvir no site da Rádio Nederland:

http://www.parceria.nl/brasil/br060831_atracadas

http://www.parceria.nl/brasil/bra060907_saude

Para ler e ouvir na rádio internacional da França

http://www.rfi.fr/actubr/articles/081/article_685.asp

A partir do dia 04 de outubro o Abaré vai realizar a sua primeira viagem de atendimento após sua visita inaugural à comunidade de Maguari ocorrida no mês de agosto. A equipe de médicos, enfermeiros, arte-educadores do Projeto Saúde & Alegria vai percorrer todas as comunidades da Floresta Nacional do Tapajós à bordo do Barco equipado para funcionar como uma unidade móvel de atenção básica à saúde. É grande a expectativa das comunidades que ainda não tiveram a oportunidade de ver e ser atendidas pelo Barco.

Acompanhe notícias da viagem aqui no Blog do Programa Saúde na Floresta

Inauguração do Barco Abaré marca nova etapa do Programa Saúde na Floresta
Por Fábio Pena
Foto: João Ramid

O sol estava a mais de 40 graus na comunidade de Maguari. O espelho d`água do Rio Tapajós era o caminho por onde passava buzinando o Barco Abaré por volta das três horas da tarde do dia 22 de agosto. Debaixo de ramas das árvores da Floresta Nacional do Tapajós, mais de 400 ribeirinhos fixavam os olhos no horizonte, no barco que em pouco tempo iria ancorar no porto de Maguari, a comunidade do Município de Belterra, escolhida para simbolizar a entrega do Abaré aos moradores.

Enquanto a banda municipal formada por jovens entoava a Aquarela do Brasil, dezenas de repórteres, cinegrafistas e fotógrafos disparavam fleshes para registrar o momento histórico para o povo da região.

Foi a primeira viagem do Barco Abaré, uma Unidade Móvel de Saúde que vai atuar nas duas margens do rio Tapajós, atendendo aproximadamente 2600 famílias ou 13.000 beneficiários de 73 comunidades, e promovendo o acesso aos programas da atenção básica como pré-natal, PCCU, planejamento familiar, hiperdia, imunizações, saúde oral, saúde da criança, atendimentos médicos, pequenas cirurgias, atendimentos ambulatoriais e realizações de exames de rotina. Por este motivo o barco ganhou o nome de Abaré - sugerido pelos próprios comunitários a serem beneficiados - que em tupi significa o cuidador ou individuo dedicado aos demais.

A iniciativa compõe o Programa Saúde na Floresta, capitaneado pelo Projeto Saúde & Alegria - PSA - com o apoio da Terre des Hommes Holanda (TdH-NL), em conjunto com as Prefeituras Municipais de Santarém, Belterra e Aveiro, Federações das Comunidades da Flona Tapajós, Resex Tapajós-Arapiuns, Gleba Lago Grande, Conselho Nacional do Seringueiros e Sindicatos de Trabalhadores Rurais das regiões envolvidas.

A solenidade de inauguração aconteceu no dia 22 na orla da cidade de Santarém, quando centenas de pessoas, entre comunitários, autoridades e parceiros participaram do Lançamento oficial do Barco Abaré como parte do II Encontro das comunidades do Programa Saúde na Floresta. Os discursos deixaram transbordar a satisfação por esta importante realização e reafirmaram compromissos das organizações envolvidas. O Abaré foi inaugurado em Santarém, com a quebra de uma cabaça contendo o tarubá, uma bebida típica regional feita de mandioca, e com uma benção para os deuses da floresta seguida de muitos fogos que coloriram o céu anunciando a apresentação do Gran Circo Mocorongo de Saúde & Alegria. O circo foi apresentado com mais de 30 artistas, profissionais de diversas áreas que atuam no PSA e fazem da arte e do lúdico o principal instrumento de educação e mobilização comunitária de toda a proposta.

Festa maior ainda estava por acontecer na tarde do dia 22. A chegada do Abaré na comunidade de Maguari foi um momento ímpar, com cenas que ficarão por muito tempo na memória de todos que ali estavam. O barracão comunitário da vila literalmente fervilhava enquanto um após o outro, entre uma música e outra, autoridades, parceiros, coordenadores do PSA e comunitários seguiam seus depoimentos e a confraternização.


A comunidade esperava por esse momento há um bom tempo. Moradores das comunidades vizinhas também vieram para Maguari participar da festa e receber os primeiros serviços do barco. Dona Odiniza Castro Souza, moradora de Acaratinga, aproveitou para levar seus filhos, Odinei de 10 anos, Odriene de 06 anos e Renato de 05 meses para consultar o médico. O caso de Odinei era mais urgente. “Faz quase um mês que ele está com dor de dente, mas eu não tive ainda condições para levar ele na cidade”, conta a mãe preocupada. Com o atendimento odontológico do barco, Odinei pode agora sorrir com mais tranqüilidade, além de receber orientações para cuidar dos dentes.

Para José Alex Lima de Olivera, 23 anos, morador de Maguari, o Abaré chegou também em boa hora. “Eu fui buscar atendimento dentário na cidade, mas eu teria que ficar mais de um dia lá e o dentista particular pediu muito caro pelo tratamento. Eu acabei voltando sem resolver o problema. E agora fui atendido aqui mesmo na minha comunidade”, conta satisfeito.

O Abaré foi construído para enfrentar as condições amazônicas de secas e enchentes e está bem equipado com sala odontológica e de obstetrícia, equipamentos para exames clínicos básicos completos, entre outros, além de dispor de instrumentos de comunicação e educação, com espaços para palestras e oficinas de capacitação. Terá como suporte uma ambulancha, que já está em funcionamento, facilitando o resgate de pacientes nos casos mais emergenciais. Em apenas um dia na comunidade de Maguari, a “ambulancha” teve que se deslocar para duas comunidades vizinhas para atender casos como o de Bruce dos Santos, 45 anos, que estava com um tumor no pescoço a mais de um mês e sem atendimento.

A presença do Abaré nas águas do rio Tapajós e sua integração à rede pública dos três municípios atingidos (Santarém, Belterra e Aveiro) vai responder a maioria das demandas de atendimento dessas comunidades. Mas o principal componente será o da educação para promoção e proteção à saúde, envolvendo a Rede de Agentes Comunitários de Saúde, parteiras e demais lideranças comunitárias para que o trabalho preventivo tenha continuidade e a assistência não seja tão necessária.

A inauguração do Abaré marca um passo importante para o Programa Saúde na Floresta, que em sua primeira etapa esteve focado na melhoria das condições de saneamento das comunidades, e agora incorpora o desafio da assistência em saúde visando consolidar um modelo de atenção básica adaptado para as comunidades ribeirinhas da Amazônia.


Mais de 250 representantes vindos de 143 comunidades ribeirinhas atendidas pelo Programa Saúde na Floresta estiveram reunidos no Centro de Formação Emaús na cidade de Santarém nos dias 21 e 22 de agosto. No encontro promovido pelo Projeto Saúde & Alegria - PSA com o apoio da Terre des Hommes Holanda - TdH, Fundação Ford, Fundação Konrad Adenauer e BNDES os participantes discutiram a atenção básica em saúde nas áreas rurais.

Vivendo principalmente às margens dos rios Tapajós e Arapiuns, os participantes, em sua maioria Lideranças Comunitárias e Agentes de Saúde sabem bem os desafios de suas comunidades na área da saúde. As distâncias dos centros urbanos, as dificuldades de comunicação e transporte são condições que influenciam nas dificuldades de acesso dessas comunidades aos serviços públicos de saúde.

Contradições peculiares à realidade da Amazônia também são objeto de discussão. Numa região onde o rio é sempre uma constante na vida do ribeirinho, o acesso à água de consumo tem seus problemas. Na época da vazante o rio fica longe demais. Na época das cheias, as águas ficam impróprias para o consumo sem tratamento. O resultado são altos índices de doenças como diarréias, endemias, entre outras, que afetam principalmente as crianças.

Foi nessa realidade que o Programa Saúde na Floresta, capitaneado pelo PSA em conjunto com diversas organizações parceiras enfrentou o desafio de melhorar as condições sanitárias, de higiene e saneamento das comunidades.

Este II Encontro aconteceu para avaliar os resultados e os aprendizados do Programa até o momento, bem como para planejar de forma participativa os próximos passos.

Na abertura do evento, um clima de muita alegria tomou conta do público. A integração dos comunitários logo foi promovida através de dinâmicas conduzidas pelo coordenador de Educação do PSA, Magnólio de Oliveira.

Na mesa de abertura, as falas deixaram transparecer que o momento era de comemorar os resultados. Para Caetano Scannavino, coordenador geral do PSA, “a saúde é um direito de todos, uma responsabilidade do estado, mas também uma co-responsabilidade do cidadão. Por isso é que a união de forças entre o PSA e seus apoiadores, as prefeituras e as organizações comunitárias foi fundamental para o sucesso do programa”.

A coordenadora nacional do Terre des Hommens Holanda, principal organização apoiadora do programa, Márcia Iglesias, destacou o papel da entidade. “Como o próprio nome da organização já significa terra dos humanos, nós temos apoiado projetos que melhoram a qualidade de vida principalmente de crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E no Brasil temos este projeto quem traz agora seu componente mais importante que é o navio Abaré, que já está ancorado em Santarém”.

Para Ivete Bastos, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém, “a satisfação maior é ver em cada pessoa a expressão da vitória, de tudo aquilo que foi conquistado em termos de saúde, da melhoria da qualidade de vida dos moradores da área rural”.

A importância da organização comunitária

Todo o processo de implantação do Programa Saúde na Floresta vem acompanhado de um forte trabalho de organização comunitária, tanto para que as próprias comunidades possam gerir as infra-estruturas implantadas, como para fortalecer o papel de suas organizações representativas no controle social das políticas públicas de saúde.

Seu João Lopes, presidente da Federação das Comunidades da Flona Tapajós disse que “o projeto ajudou as organizações comunitárias a ter um maior entendimento do seu papel na área da saúde”. Do mesmo modo, Célio Aldo, representante da Tapajoara – Organização das Comunidades da Resex, afirmou que “quanto mais a comunidade está organizada, mas ela consegue benefícios”. O representante da FEAGLE – Federação do Assentamento Agroextrativista do Lago Grande disse “assim como nas outras lutas do povo, a melhoria do acesso aos serviços de saúde deve ter a participação ativa das comunidades”, completou.

Descentralização e integração às políticas públicas

O Programa Saúde na Floresta visa demonstrar a viabilidade de um modelo que envolve a implantação de infra-estruturas de saneamento, a mobilização para educação e prevenção e a participação comunitária na gestão da saúde publica, que tenha custos reduzidos, promova a inclusão e tenha alto impacto social. Para isso é fundamental a integração às políticas públicas de saúde dos municípios envolvidos.

É o que reforça o Prefeito do Município de Belterra. Geraldo Pastana disse que “a inovação que está sendo feita pelo projeto deve orientar para que essa experiência se torne efetivamente uma política pública. Estamos criando uma rede que descentraliza o atendimento da saúde da cidade para as comunidades, ligando com elos fortes o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde, os Postos do Programa Saúde da Família em comunidades pólos, e principalmente o nosso barco Abaré que vai poder passar de comunidade em comunidade”, afimou.

Números do Programa

Desde seu inicio o Programa já implementou diversas infra-estruturas que vem ajudando a melhorar a qualidade de vida da população. Foram: 20 micro-sistemas de abastecimento de água, 62 kits de fabricação de cloro, 176 poços semi-artesianos, 4.402 pedras sanitárias, 4.549 filtros de água e 07 postos de saúde. E para apoiar o componente educativo, equipamentos para 31 rádios comunitárias, instalação de 77 rádios-transmissores (amador) e 20 oficinas de capacitação para agentes locais sobre higiene e saneamento. Tudo isso beneficiando cerca 5 mil famílias.

Os indicadores de saúde acompanhados entre os anos de 2001 e 2005, no qual essas ações associadas a outras iniciativas do PSA tiveram forte impacto, mostram que a desnutrição diminuiu de 35% para 10%, os casos de diarréia de 30% para apenas 07%, as dermatites de 50% para 22% e a cobertura vacinal saltou de 50% para 98% das crianças.

O Abaré vem aí

O Navio Abaré vai funcionar como uma Unidade Móvel de Saúde para atender as duas margens do rio Tapajós, aproximadamente 2600 famílias ou 13.000 beneficiários de 73 comunidades, promovendo o acesso aos programas da atenção básica como pré-natal, PCCU, planejamento familiar, hiperdia, imunizações, saúde oral, saúde da criança, atendimentos médicos, pequenas cirurgias, atendimentos ambulatoriais e realizações de exames de rotina preconizados no programa. A maior expectativa agora dos participantes do II Encontro do Saúde na Floresta é a cerimônia de inauguração do Navio que acontecerá hoje, dia 22 à tarde na orla de Santarém.

Já é marca da registrada em todos os eventos e atividades nas comunidades do Projeto Saúde & Alegria, a apresentação do Gran Circo Mocorongo, um espetáculo apresentado pela equipe do projeto e os comunitários para educar, valorizar a cultura local e traduzir através da arte e do lúdico, todos os temas trabalhados pelo projeto, seja na área da saúde, como no meio ambiente, na geração de renda e na organização comunitária.

E desta vez não será diferente. A equipe do Saúde & Alegria já se prepara para apresentar o Circo Mocorongo numa ocasião mais do que especial, a inauguração do Navio Abaré de atendimento em saúde para as comunidades ribeirinhas, que acontecerá na tarde do dia 22 na orla de Santarém.

Entre preparar a programação do evento, a logística, a mobilização das comunidades, os artistas do Circo Mocorongo, que são médicos, enfermeiros, agrônomos, técnicos das diversas áreas e educadores, arranjam tempo para os ensaios que estão à todo vapor.



Ensaios do Circo


A proposta é levar Saúde e Alegria aos povos da floresta

Foto: José Egas

No dia 22 de agosto um barco vai navegar pela primeira vez as águas azuis do Rio Tapajós, no município de Santarém e Belterra, no Pará. Ele não vai à procura de peixe, nem mesmo transporta turistas. Sua equipe será composta de médicos, enfermeiros e educadores, que percorrerão as comunidades ribeirinhas para dar resposta a um dos seus maiores desafios: a melhoria do acesso aos serviços de saúde. O Barco construído em Manaus, chegou em Santarém no último dia 03 de agosto. Será inaugurado oficialmente no dia 22 à tarde numa cerimônia na Orla de Santarém como parte do II Encontro do Programa Saúde na Floresta, partindo no dia seguinte para iniciar os trabalhos na região do Tapajós.

Não por coincidência, o barco ganhou o nome de Abaré - sugerido pelos próprios comunitários a serem beneficiados - que em tupi significa o cuidador ou individuo dedicado aos demais. Ajudar a construir saúde nas comunidades ribeirinhas, levando os serviços essenciais e educação será tarefa principal desta embarcação, equipada para funcionar como uma unidade móvel de atenção básica à saúde.

A iniciativa compõe o Programa Saúde na Floresta, capitaneado pelo Projeto Saúde & Alegria - PSA - com o apoio da Terre des Hommes Holanda (TdH-NL), em conjunto com as Prefeituras Municipais de Santarém, Belterra e Aveiros, Federações das Comunidades da Flona Tapajós, Resex Tapajós-Arapiuns, Gleba Lago Grande, Conselho Nacional do Seringueiros e Sindicatos de Trabalhadores Rurais das regiões envolvidas.

Através do Programa Saúde na Floresta, iniciado em julho de 2003, o PSA – que atua desde 1987 na região promovendo ações de desenvolvimento comunitário sustentável – ampliou sua cobertura direta de 31 para 143 localidades situadas principalmente na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, Floresta Nacional do Tapajós e áreas de entorno, beneficiando uma população de aproximadamente 5000 famílias, perfazendo um total de quase 30 mil pessoas.

Em sua primeira etapa, com o apoio complementar do BNDES ao suporte que já vinha sendo dado pelo TdH-NL, o Programa priorizou a melhoria das condições de higiene e saneamento, beneficiando aproximadamente 2500 famílias com sistemas de água encanada em suas próprias casas, outras 1500 famílias com água de qualidade oriunda de poços semi-artesianos, praticamente 100% da população envolvida – 5000 famílias – com pedras sanitárias, filtros de água e acesso ao cloro para tratamento da água de consumo. Tudo isso sempre acompanhado de um forte trabalho educativo e de organização comunitária através da implantação de rádios comunitárias para mobilização em saúde, instalação de rádio-amadores para agilizar a comunicação campo-cidade, e realização regular de oficinas preventivas de capacitação em higiene e saneamento para os moradores.

O programa trouxe impactos positivos imediatos na saúde das comunidades, principalmente pelo acesso à água tratada e melhoria das condições sanitárias, como afirma o Agente Comunitário de Saúde, Djalma Lima, da localidade de Suruacá: “pudemos evitar doenças simples, mas que acabavam se tornando graves, como a diarréia que afetava principalmente as crianças. Hoje a mortalidade infantil diminuiu bastante”, afirma.

As características peculiares da região amazônica, como as longas distâncias, dificuldades de transporte e comunicação geram o grande desafio da inclusão das comunidades ribeirinhas aos serviços básicos de saúde. Dona Conceição Pantoja, moradora da comunidade de Jamaraquá, na Flona Tapajós, afirma que nos casos de doença, “é preciso fazer um longo deslocamento daqui da comunidade até Santarém ou Belterra. As estradas são bem difíceis e pelo rio são horas de viagem. Além disso, é difícil a condição financeira para se manter na cidade acompanhando um doente”.

Caetano Scannavino, coordenador do PSA, reforça essa realidade: “a saúde no Brasil ainda é um desafio. Mais ainda no contexto dos municípios amazônicos, com dotações orçamentárias limitadas e enorme demanda. Um ponto importante a destacar no Programa Saúde da Floresta é o conjunto de parcerias firmadas no sentido de somarmos esforços de forma integrada com as Prefeituras para oferecermos respostas a este desafio. Acreditamos ainda que o Programa poderá se constituir numa referencia demonstrativa contribuindo como um exemplo concreto para sua replicação via políticas publicas em outras regiões”.

E vai além: “Nesta primeira etapa, focamos no saneamento. O próximo passo é o fortalecimento do componente assistencial. O inicio do funcionamento da “ambulancha” em 2005 para o atendimento de casos de emergência e a entrada na água do barco Abaré são marcos históricos neste sentido”.

Cabe lembrar que tudo isto só foi possível através do apoio do Terre des Hommes Holanda – uma organização sem fins lucrativos que se dedica a apoiar projetos sociais ao redor do mundo – parceira do Projeto Saúde e Alegria desde 2001 em atividades de prevenção e atenção à saúde, e também responsável pelo financiamento da construção e equipagem da lancha-ambulância (“ambulancha””) e do barco Abaré.

“A ambulancha e o barco Abaré de atendimento em saúde são exemplos de soluções concretas com a qual podemos influir na vida de milhares de pessoas. É uma grande satisfação para Terre de Hommes Holanda poder ser parceira em um projeto deste porte”, comenta Patrick Krens, Coordenador Regional do TdH-NL.

O Prefeito de Belterra, Sr. Geraldo Pastana, ressalta que a parceria, agora com a incorporação do barco, fortalecerá o serviço de saúde no município: “Na verdade, estamos criando uma rede integrada, formada pelo barco, o Programa Saúde da Família e os Agentes Comunitários de Saúde na margem direita do rio Tapajós”.

Seu João Lopes, presidente da Federação das Comunidades da Flona Tapajós, comemora: “Imagine só a grande expectativa que isto cria em nós. Só para dar um exemplo, antes eu tinha um pequeno barco que transportava doente para Santarém em 14 horas de viagem. Imagine agora nós podermos ter dentro da Flona e na Resex um barco que vai atender as comunidades lá mesmo. Esse barco vai trazer mais alegria, mais vontade de viver na zona ribeirinha, viver com saúde na floresta!”, argumentou.

O barco vai atuar nas duas margens do rio Tapajós para oferecer acesso aos programas da atenção básica como pré-natal, PCCU, planejamento familiar, hiperdia, imunizações, saúde oral, saúde da criança, atendimentos médicos, pequenas cirurgias, atendimentos ambulatoriais e realizações de exames de rotina preconizados no programa.

A educação para promoção e proteção à saúde será uma das principais bandeiras do Barco por onde passar, juntamente com a rede de Agentes Comunitários de Saúde - ACS. Esse é também o entendimento do ACS Djalma Lima: “Esse barco vai trazer várias mudanças não só de assistência, mas em termos de prevenção também. O trabalho preventivo torna a assistência menos necessária e com menos gastos”, destaca.

A integração com as Políticas Públicas será outro componente importante do Projeto. Através das parcerias com as prefeituras municipais, a proposta é integrar os serviços do Barco ao Sistema Único de Saúde – SUS, aprimorando as bases para consolidar um modelo de atenção à saúde que seja apropriado para as populações ribeirinhas da Amazônia.

Após sua inauguração no dia 22, o Barco vai fazer sua primeira viagem de atendimento até a comunidade de Maguari e Jamaraquá, na Flona Tapajós, no município de Belterra. É lá que mora dona Conceição Pantoja que aguarda com expectativa a chegada do Barco. “A gente vai ficar muito feliz, porque isso era um sonho que a gente está vendo ser realizado. Aqui na nossa comunidade, vamos mobilizar todo mundo para ver juntos a hora que ele chegar, vai ser uma grande festa”, comemora Dona Conceição.

Lideranças de organizações comunitárias e equipe do Projeto Saúde & Alegria estão trabalhando a todo vapor nos preparativos de um dos maiores eventos intercomunitários da região, o II Encontro do Programa Saúde na Floresta, que vai reunir aproximadamente 300 lideranças de 143 comunidades ribeirinhas dos rios Tapajós, Amazonas e Arapiuns. O Encontro que tem apoio da Terre dês Hommes Holanda, BNDES, Fundação Ford e Fundação Konrad Adenauer, acontecerá nos dias 21 e 22 de agosto no Centro Emaús, na Rodovia Santarém-Curuaúna.

Os objetivos do encontro são: realizar uma avaliação e planejar os próximos passos do Programa Saúde na Floresta, que começou em 2003 com a implantação de infra-estruturas de higiene e saneamento básico e agora se projeta para consolidar modelos de atendimento à saúde das comunidades. A inauguração do Barco Abaré, uma unidade móvel de saúde que vai navegar o rio Tapajós realizando atendimentos médicos e educação em saúde, será um dos momentos mais importantes do evento. Nesse contexto, as discussões vão ter ainda como foco, como diminuir em conjunto com as políticas públicas, a exclusão em que vivem hoje a maioria das comunidades ribeirinhas, no tocante ao acesso aos serviços básicos de saúde.

Para isso, as organizações que fazem parte da aliança social estratégia do Programa estão desde já trabalhando na mobilização das comunidades, organizando a estrutura para receber os participantes e discutindo os detalhes da programação.

Reunião dos parceiros: Sindicato dos Trabalhadores (as) Rurais de Santarém/ Belterra e Aveiro, Tapajoara, FEAGLE, Federação da Flona, Prefeituras Municipais de Santarém e Belterra e CNS.



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