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Por Fabiola Fernanda, Keila Vargas, Marcila e Zuleide Guimarães Gomes, Acadêmicas de Enfermagem da FIT (Faculdades Integradas do Tapajós)

O período de 25 de abril a 05 de maio de 2010 foi de grande importância para nosso crescimento profissional, vivenciamos uma experiência fascinante. O estágio rural que inicialmente significava o cumprimento de carga horária do 8º semestre do curso de Enfermagem das Faculdades Integradas do Tapajós passou a ser um período de aprendizado sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). De que forma? Praticando, exercendo nossas atividades dentro dos princípios do SUS o que nem sempre fora possível na área urbana.

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A Enfermeira Rose, da equipe do Projeto Saúde & Alegria no Abaré, nos trouxe essa história do dia-a-dia do  “amigo cuidador”, a unidade móvel de Saúde do PSA.

A Rose nos contou que numa rodada extra do Abaré pelo município da Aveiro, na Floresta Nacional do Tapajós, na comunidade de Santa Cruz, ela conheceu a Jennifer, de cinco anos.  Jennifer tateava o Abaré e fazia, com toda a sua capacidade de formar imagens, o cenário visual do navio.  A Rose, atenta aos movimentos da menina, deficiente visual desde o nascimento, foi ao seu encontro para ajudar esse “olhar”, muito especial.

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Abaré, o Amigo Cuidador

A unidade móvel de saúde Abaré, do Projeto Saúde & Alegria, retoma suas atividades no Rio Tapajós. Nós iremos apresentar aqui, todos os meses, o percurso que o Abaré fará mensalmente, para que você possa se beneficiar do Programa de Saúde na Floresta que estará na frente de sua comunidade.

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Foto Antonio Martins

Em um trabalho conjunto do Projeto Saúde e Alegria (PSA) a ONG Expedicionários da Saúde e a Secretaria Municipal de Saude (SEMSA) realizaram a terceira jornada de cirurgia dos rios Tapajós e Arapiuns.

Desta vez a população beneficiada foi a das comunidades ribeirinhas do Rio Arapiuns.

Para tanto durante este ano nas quatro viagens de atendimento programadas pela SEMSA e PSA foram triados 274 pacientes que poderiam ser submetidos as cirurgias.

No período de 1 a 8 de agosto o Abaré esteve na comunidade de Cachoeira do Aruã onde foram realizadas 132 cirurgias.

Dentro do Abaré foi implementado um centro cirúrgico moderno e eficiente, o material utilizado foi doado por fabricantes de materiais hospitalares aos Expedicionários da Saúde que trouxeram o que existe de mais moderno nas área de cirurgia oftalmológica e geral.

Das 132 cirurgias realizadas 58 foram cirurgias oftalmológicas e 78 gerais entre cataratas, pterígio, hérnias, pequenos tumores, lábios leporinos e outras cirurgias de médio e pequeno porte. Além das cirurgias foram feitas mais de 192 consultas oftalmológicas.

A equipe de saúde composta por 14 médicos, enfermeiros e técnicos oriundos das três entidades (PSA/Expedicionários/Semsa) comemoraram ao final o sucesso desta jornada e as 427 cirurgias já computadas nas três jornadas realizadas.

Trata-se de mais um beneficio ás populações ribeirinhas dos rios Tapajós e Arapiuns fruto da parceria entre a Semsa, PSA e Expedicionário da Saúde.

A rotina dos profissionais embarcados no Abaré seria comum a qualquer unidade de atendimento em saúde de qualidade se não houvessem alguns elementos peculiares da realidade da amazônia e do trabalho do PSA: o próprio fato de estarem em um navio, o lúdico para a educação, o elemento rio e o isolamento em que se encontram a maioria das comunidades atendidas. Apenas levar assistência e cuidados básicos de saúde já justificaria o esforço da equipe. Mas são casos como o de Erito, como nos conta Fábio Tozzi, médico do Abaré, que mostram ainda mais a importância do trabalho desenvolvido:

“O Erito foi um paciente, uma criança de nove meses atendida no Abaré, numa situação inusitada porque nós estávamos na margem direita do rio Tapajós e de repente no meio de um outro atendimento recebemos uma bajara que tinha atravessado o rio da margem esquerda para a direita. Naquela altura o rio é muito largo, com mais de 15 km.

Na canoa estava um casal com a criança no colo, inconsciente, chocada, numa situação clínica crítica, pedindo que a gente atendesse a criança. A gente realizou o atendimento que foi um caso de ressuscitação, pois a criança estava chocada, há vários dias em estado de coma, um quadro infeccioso bastante grave proveniente de uma diarréia. E nós tratamos aquela criança no meio do rio Tapajós! O atendimento passou por diversas etapas até tirar a criança daquela situação muito crítica e depois transportá-la até Santarém, levando todos os equipamentos que nós tínhamos no barco: monitorização de saturação de oxigênio, eletrocardiograma, soro, secção venosa, antibiótico. Enfim, tudo aquilo para trazer ela num estado estável até o pronto-socorro da cidade de Santarém, quando ela recebeu a continuidade do tratamento.

Foi uma experiência emocionante porque era uma situação crítica, inusitada, que exigiu uma atenção especial, que a estrutura do Abaré conseguiu dar, fazendo um suporte hemodinâmico e respiratório para que a criança fosse transportada a tempo até Santarém. A gente viu que o Abaré começa a mudar um pouco o perfil de atendimento nas comunidades ribeirinhas. Apesar de estar preparado para os atendimentos básicos, ele consegue também dar suporte nessas situações mais críticas. E tivemos a grande satisfação de ver agora a criança viva e feliz com seus pais”.

Depoimento de Estrela dos Santos Oliveira:

“Aconteceu é que a mais de um mês meu filho começou a ficar doente com uma grande diarréia… A gente mora muito longe da cidade. Só tem barco duas vezes na semana para a cidade, e a distancia é de 15 horas de viagem de Santarém. Quando nós vimos que o caso dele era grave, fomos procurar um pajé. Ele benzeu, rezou, mas disse que não ia dar jeito. Ele mesmo nos orientou que viéssemos para a cidade procurar ajuda, mas a gente não tinha como vir”.

Seu Lucivaldo Caetano Monteiro:

“Ficamos sabendo que o Abaré estava na outra margem do rio. Atravessamos de bajara até lá e fomos logo atendidos. A gente tinha ouvido falar desse Abaré, mas eu nem acreditava muito. Só acreditei quando estava lá dentro com meu filho sendo atendido. Eu achei que foi um caso muito triste e ao mesmo tempo bom, porque não tínhamos muita esperança que nosso filho ia viver. Mas os doutores ajudaram muito nós, toda a equipe do Abaré, e graça a eles meu filho está bem”.

O casal Estrela dos Santos Oliveira e Lucivaldo Castro e seu filho Erito Oliveira de apenas nove meses, moradores da comunidade de Jauarituba, na margem esquerda do rio Tapajós.

A seca que afeta o nível do rio não impede o Abaré de navegar pelo Tapajós e de levar atendimento médico de qualidade às comunidades ribeirinhas. Quem vê a enorme Unidade Móvel de Saúde do Projeto Saúde e Alegria (PSA), mal sabe que debaixo da água há apenas 80 centímetros de calado, permitindo que a embarcação encoste próximo da margem. Nas duas primeiras viagens do Abaré, realizadas em outubro e novembro em 22 comunidades da Floresta Nacional do Tapajós no município de Belterra, 1.066 pessoas receberam atendimento médico, 191 passaram pelo atendimento odontológico, 266 ribeirinhos foram vacinados e 406 exames ambulatoriais foram feitos. Até o final do ano, esse retrato de saúde aumentará, com novas saídas previstas, pontilhando novamente com saúde as margens do rio Tapajós.

Receber um tratamento de saúde humanizado, que chega na porta de casa, é novidade para Edinéia Castro de Azevedo, de 28 anos, moradora da comunidade de Maguari, que há mais de um mês precisava levar a pequena Diana, de 7 meses, ao serviço de saúde. De uma só vez, a criança foi examinada pelo médico, realizou os exames necessários e recebeu o remédio correto para sanar a enfermidade. “É uma oportunidade boa que a gente está tendo, uma melhoria, porque antes tinha que ir até Belterra. Aqui com certeza a gente será bem atendida, conta Edinéia, satisfeita. Opinião semelhante tem Joaquim Pedroso, de 60 anos, também de Maguari. Depois da consulta e a realização de exames no Abaré, ele recebeu o remédio para combater a pressão alta. “É bom que tudo é feito na hora”, afirma.

A atuação do Abaré é um verdadeiro trabalho em equipe. Além de médicos e enfermeiros, palhaços se juntam à caravana arrancando sorrisos e educando as pessoas. Profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Belterra já ajudaram a equipe do PSA nas campanhas de vacinação, demonstrando na prática que é possível fazer a integração da Unidade Móvel à rede pública de serviços de saúde. Nas comunidades, o funcionamento do Abaré vem fortalecendo o trabalho de organização comunitária e educação popular em saúde. Agentes comunitários realizam campanhas preventivas e fazem a triagem dos pacientes a serem atendidos. Comissões locais de saúde também mobilizam a comunidade para ficar preparada para a chegada da embarcação.

O Abaré, que na língua tupi significa “amigo cuidador”, está equipado com sala odontológica, consultórios, sala de repouso e observação, equipamentos para exames laboratoriais e preventivos completos – como pré-natal e coleta de PCCU (prevenção ao câncer do colo do útero) -, imunizações, saúde bucal, pequenas cirurgias, entre outros. Dispõe de instrumentos de comunicação e educação, com espaço para palestras e oficinas de capacitação, e tem como suporte uma ambulancha, que facilita o resgate em caso de emergência. A embarcação busca oferecer acesso aos programas de atenção básica à saúde para 2.500 famílias em mais de 70 comunidades do rio Tapajós nos municípios de Aveiro, Belterra e Santarém.

“Nestes meus 23 anos de profissão dedicados à medicina pública, nunca havia visto condições de trabalho tão boas, atendimento digno, e resolutividade a nível primário. O Abaré leva a equipe bem próxima às comunidades ribeirinhas e permite um atendimento médico e odontológico de qualidade. As facilidades dos seis computadores de bordo também permitiram o registro dos prontuários, coleta de dados laboratoriais e das patologias encontradas. Acredito estar participando da construção de um modelo de atendimento médico plenamente adaptado para essas populações isoladas”, afirma Fabio Tozzi, médico do Projeto Saúde e Alegria.

Notícias para ler o ouvir no site da Rádio Nederland:

http://www.parceria.nl/brasil/br060831_atracadas

http://www.parceria.nl/brasil/bra060907_saude

Para ler e ouvir na rádio internacional da França

http://www.rfi.fr/actubr/articles/081/article_685.asp

A partir do dia 04 de outubro o Abaré vai realizar a sua primeira viagem de atendimento após sua visita inaugural à comunidade de Maguari ocorrida no mês de agosto. A equipe de médicos, enfermeiros, arte-educadores do Projeto Saúde & Alegria vai percorrer todas as comunidades da Floresta Nacional do Tapajós à bordo do Barco equipado para funcionar como uma unidade móvel de atenção básica à saúde. É grande a expectativa das comunidades que ainda não tiveram a oportunidade de ver e ser atendidas pelo Barco.

Acompanhe notícias da viagem aqui no Blog do Programa Saúde na Floresta

Inauguração do Barco Abaré marca nova etapa do Programa Saúde na Floresta
Por Fábio Pena
Foto: João Ramid

O sol estava a mais de 40 graus na comunidade de Maguari. O espelho d`água do Rio Tapajós era o caminho por onde passava buzinando o Barco Abaré por volta das três horas da tarde do dia 22 de agosto. Debaixo de ramas das árvores da Floresta Nacional do Tapajós, mais de 400 ribeirinhos fixavam os olhos no horizonte, no barco que em pouco tempo iria ancorar no porto de Maguari, a comunidade do Município de Belterra, escolhida para simbolizar a entrega do Abaré aos moradores.

Enquanto a banda municipal formada por jovens entoava a Aquarela do Brasil, dezenas de repórteres, cinegrafistas e fotógrafos disparavam fleshes para registrar o momento histórico para o povo da região.

Foi a primeira viagem do Barco Abaré, uma Unidade Móvel de Saúde que vai atuar nas duas margens do rio Tapajós, atendendo aproximadamente 2600 famílias ou 13.000 beneficiários de 73 comunidades, e promovendo o acesso aos programas da atenção básica como pré-natal, PCCU, planejamento familiar, hiperdia, imunizações, saúde oral, saúde da criança, atendimentos médicos, pequenas cirurgias, atendimentos ambulatoriais e realizações de exames de rotina. Por este motivo o barco ganhou o nome de Abaré – sugerido pelos próprios comunitários a serem beneficiados – que em tupi significa o cuidador ou individuo dedicado aos demais.

A iniciativa compõe o Programa Saúde na Floresta, capitaneado pelo Projeto Saúde & Alegria – PSA – com o apoio da Terre des Hommes Holanda (TdH-NL), em conjunto com as Prefeituras Municipais de Santarém, Belterra e Aveiro, Federações das Comunidades da Flona Tapajós, Resex Tapajós-Arapiuns, Gleba Lago Grande, Conselho Nacional do Seringueiros e Sindicatos de Trabalhadores Rurais das regiões envolvidas.

A solenidade de inauguração aconteceu no dia 22 na orla da cidade de Santarém, quando centenas de pessoas, entre comunitários, autoridades e parceiros participaram do Lançamento oficial do Barco Abaré como parte do II Encontro das comunidades do Programa Saúde na Floresta. Os discursos deixaram transbordar a satisfação por esta importante realização e reafirmaram compromissos das organizações envolvidas. O Abaré foi inaugurado em Santarém, com a quebra de uma cabaça contendo o tarubá, uma bebida típica regional feita de mandioca, e com uma benção para os deuses da floresta seguida de muitos fogos que coloriram o céu anunciando a apresentação do Gran Circo Mocorongo de Saúde & Alegria. O circo foi apresentado com mais de 30 artistas, profissionais de diversas áreas que atuam no PSA e fazem da arte e do lúdico o principal instrumento de educação e mobilização comunitária de toda a proposta.

Festa maior ainda estava por acontecer na tarde do dia 22. A chegada do Abaré na comunidade de Maguari foi um momento ímpar, com cenas que ficarão por muito tempo na memória de todos que ali estavam. O barracão comunitário da vila literalmente fervilhava enquanto um após o outro, entre uma música e outra, autoridades, parceiros, coordenadores do PSA e comunitários seguiam seus depoimentos e a confraternização.


A comunidade esperava por esse momento há um bom tempo. Moradores das comunidades vizinhas também vieram para Maguari participar da festa e receber os primeiros serviços do barco. Dona Odiniza Castro Souza, moradora de Acaratinga, aproveitou para levar seus filhos, Odinei de 10 anos, Odriene de 06 anos e Renato de 05 meses para consultar o médico. O caso de Odinei era mais urgente. “Faz quase um mês que ele está com dor de dente, mas eu não tive ainda condições para levar ele na cidade”, conta a mãe preocupada. Com o atendimento odontológico do barco, Odinei pode agora sorrir com mais tranqüilidade, além de receber orientações para cuidar dos dentes.

Para José Alex Lima de Olivera, 23 anos, morador de Maguari, o Abaré chegou também em boa hora. “Eu fui buscar atendimento dentário na cidade, mas eu teria que ficar mais de um dia lá e o dentista particular pediu muito caro pelo tratamento. Eu acabei voltando sem resolver o problema. E agora fui atendido aqui mesmo na minha comunidade”, conta satisfeito.

O Abaré foi construído para enfrentar as condições amazônicas de secas e enchentes e está bem equipado com sala odontológica e de obstetrícia, equipamentos para exames clínicos básicos completos, entre outros, além de dispor de instrumentos de comunicação e educação, com espaços para palestras e oficinas de capacitação. Terá como suporte uma ambulancha, que já está em funcionamento, facilitando o resgate de pacientes nos casos mais emergenciais. Em apenas um dia na comunidade de Maguari, a “ambulancha” teve que se deslocar para duas comunidades vizinhas para atender casos como o de Bruce dos Santos, 45 anos, que estava com um tumor no pescoço a mais de um mês e sem atendimento.

A presença do Abaré nas águas do rio Tapajós e sua integração à rede pública dos três municípios atingidos (Santarém, Belterra e Aveiro) vai responder a maioria das demandas de atendimento dessas comunidades. Mas o principal componente será o da educação para promoção e proteção à saúde, envolvendo a Rede de Agentes Comunitários de Saúde, parteiras e demais lideranças comunitárias para que o trabalho preventivo tenha continuidade e a assistência não seja tão necessária.

A inauguração do Abaré marca um passo importante para o Programa Saúde na Floresta, que em sua primeira etapa esteve focado na melhoria das condições de saneamento das comunidades, e agora incorpora o desafio da assistência em saúde visando consolidar um modelo de atenção básica adaptado para as comunidades ribeirinhas da Amazônia.


Mais de 250 representantes vindos de 143 comunidades ribeirinhas atendidas pelo Programa Saúde na Floresta estiveram reunidos no Centro de Formação Emaús na cidade de Santarém nos dias 21 e 22 de agosto. No encontro promovido pelo Projeto Saúde & Alegria – PSA com o apoio da Terre des Hommes Holanda – TdH, Fundação Ford, Fundação Konrad Adenauer e BNDES os participantes discutiram a atenção básica em saúde nas áreas rurais.

Vivendo principalmente às margens dos rios Tapajós e Arapiuns, os participantes, em sua maioria Lideranças Comunitárias e Agentes de Saúde sabem bem os desafios de suas comunidades na área da saúde. As distâncias dos centros urbanos, as dificuldades de comunicação e transporte são condições que influenciam nas dificuldades de acesso dessas comunidades aos serviços públicos de saúde.

Contradições peculiares à realidade da Amazônia também são objeto de discussão. Numa região onde o rio é sempre uma constante na vida do ribeirinho, o acesso à água de consumo tem seus problemas. Na época da vazante o rio fica longe demais. Na época das cheias, as águas ficam impróprias para o consumo sem tratamento. O resultado são altos índices de doenças como diarréias, endemias, entre outras, que afetam principalmente as crianças.

Foi nessa realidade que o Programa Saúde na Floresta, capitaneado pelo PSA em conjunto com diversas organizações parceiras enfrentou o desafio de melhorar as condições sanitárias, de higiene e saneamento das comunidades.

Este II Encontro aconteceu para avaliar os resultados e os aprendizados do Programa até o momento, bem como para planejar de forma participativa os próximos passos.

Na abertura do evento, um clima de muita alegria tomou conta do público. A integração dos comunitários logo foi promovida através de dinâmicas conduzidas pelo coordenador de Educação do PSA, Magnólio de Oliveira.

Na mesa de abertura, as falas deixaram transparecer que o momento era de comemorar os resultados. Para Caetano Scannavino, coordenador geral do PSA, “a saúde é um direito de todos, uma responsabilidade do estado, mas também uma co-responsabilidade do cidadão. Por isso é que a união de forças entre o PSA e seus apoiadores, as prefeituras e as organizações comunitárias foi fundamental para o sucesso do programa”.

A coordenadora nacional do Terre des Hommens Holanda, principal organização apoiadora do programa, Márcia Iglesias, destacou o papel da entidade. “Como o próprio nome da organização já significa terra dos humanos, nós temos apoiado projetos que melhoram a qualidade de vida principalmente de crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E no Brasil temos este projeto quem traz agora seu componente mais importante que é o navio Abaré, que já está ancorado em Santarém”.

Para Ivete Bastos, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém, “a satisfação maior é ver em cada pessoa a expressão da vitória, de tudo aquilo que foi conquistado em termos de saúde, da melhoria da qualidade de vida dos moradores da área rural”.

A importância da organização comunitária

Todo o processo de implantação do Programa Saúde na Floresta vem acompanhado de um forte trabalho de organização comunitária, tanto para que as próprias comunidades possam gerir as infra-estruturas implantadas, como para fortalecer o papel de suas organizações representativas no controle social das políticas públicas de saúde.

Seu João Lopes, presidente da Federação das Comunidades da Flona Tapajós disse que “o projeto ajudou as organizações comunitárias a ter um maior entendimento do seu papel na área da saúde”. Do mesmo modo, Célio Aldo, representante da Tapajoara – Organização das Comunidades da Resex, afirmou que “quanto mais a comunidade está organizada, mas ela consegue benefícios”. O representante da FEAGLE – Federação do Assentamento Agroextrativista do Lago Grande disse “assim como nas outras lutas do povo, a melhoria do acesso aos serviços de saúde deve ter a participação ativa das comunidades”, completou.

Descentralização e integração às políticas públicas

O Programa Saúde na Floresta visa demonstrar a viabilidade de um modelo que envolve a implantação de infra-estruturas de saneamento, a mobilização para educação e prevenção e a participação comunitária na gestão da saúde publica, que tenha custos reduzidos, promova a inclusão e tenha alto impacto social. Para isso é fundamental a integração às políticas públicas de saúde dos municípios envolvidos.

É o que reforça o Prefeito do Município de Belterra. Geraldo Pastana disse que “a inovação que está sendo feita pelo projeto deve orientar para que essa experiência se torne efetivamente uma política pública. Estamos criando uma rede que descentraliza o atendimento da saúde da cidade para as comunidades, ligando com elos fortes o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde, os Postos do Programa Saúde da Família em comunidades pólos, e principalmente o nosso barco Abaré que vai poder passar de comunidade em comunidade”, afimou.

Números do Programa

Desde seu inicio o Programa já implementou diversas infra-estruturas que vem ajudando a melhorar a qualidade de vida da população. Foram: 20 micro-sistemas de abastecimento de água, 62 kits de fabricação de cloro, 176 poços semi-artesianos, 4.402 pedras sanitárias, 4.549 filtros de água e 07 postos de saúde. E para apoiar o componente educativo, equipamentos para 31 rádios comunitárias, instalação de 77 rádios-transmissores (amador) e 20 oficinas de capacitação para agentes locais sobre higiene e saneamento. Tudo isso beneficiando cerca 5 mil famílias.

Os indicadores de saúde acompanhados entre os anos de 2001 e 2005, no qual essas ações associadas a outras iniciativas do PSA tiveram forte impacto, mostram que a desnutrição diminuiu de 35% para 10%, os casos de diarréia de 30% para apenas 07%, as dermatites de 50% para 22% e a cobertura vacinal saltou de 50% para 98% das crianças.

O Abaré vem aí

O Navio Abaré vai funcionar como uma Unidade Móvel de Saúde para atender as duas margens do rio Tapajós, aproximadamente 2600 famílias ou 13.000 beneficiários de 73 comunidades, promovendo o acesso aos programas da atenção básica como pré-natal, PCCU, planejamento familiar, hiperdia, imunizações, saúde oral, saúde da criança, atendimentos médicos, pequenas cirurgias, atendimentos ambulatoriais e realizações de exames de rotina preconizados no programa. A maior expectativa agora dos participantes do II Encontro do Saúde na Floresta é a cerimônia de inauguração do Navio que acontecerá hoje, dia 22 à tarde na orla de Santarém.

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