O programa de educação pelos direitos das crianças começou a realização de Caravanas de Educação Comunitária. Esta atividade é um braço educativo do trabalho feito pelo Abaré com atendimentos médicos, complementando o conjunto de esforços feitos pelo Projeto Saúde & Alegria para promover melhores condições de vida à infância e à adolescência nas comunidades ribeirinhas.

O trabalho é uma continuidade das ações que vem ampliando o acesso à informação sobre o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente nas comunidades, além de abordar temas importantes para que desde criança as pessoas aprendem cuidados básicos como a saúde, a higiene, o meio ambiente e noções de cidadania. Isso acontece através de brincadeiras, oficinas e de apresentações do Circo Mocorongo em caravanas que acompanham as viagens de atendimento do Abaré no rio Tapajós.


Na última viagem do Abaré, de 24 a 27 de junho, a Caravana de Educação Comunitária levou diversos art-educadores às comunidades de  do Rio Cuparí, Escrivão, Camarão, Pinhel, Cametá e Andurú, tapuâma, Jutuarana, Paraíso e Itapaiúna.

As crianças se sentem muito motivas com as atividades, onde elas tem espaços de aprender brincando. Dona Suelen Maria Vasconcelos, trouxe seus dois filhos, João Vitor Vasconcelos Caetano e Leonardo Luiz Vasconcelos de Melo para participar das atividades na comunidade de Parauá, na viagem que aconteceu no mês de junho.

O povo da Amazônia é considerado o povo das águas, acostumado à vivência cotidiana com o rio que é ao mesmo tempo seu sustento, seu caminho e sua alma, de onde surgem não apenas os peixes, mas também os mitos e lendas que alimentam seu imaginário e sua cultura. Essa vida quase de uma liturgia diária com o rio, tem seus ciclos aos quais o povo já se acostumou e para os quais sempre teve explicações. Enchentes e vazantes dos rios, sempre trouxeram consigo significados importantes, de que a natureza sempre se renova, trazendo nova vida para as pessoas também.

Porém cada vez mais são comuns fenônemos naturais exagerados que pôem em risco não apenas as certezas dos conhecimentos tradicionais, mas principalmente a sobrevivência das populações que vivem no contato direto com a natureza. É o caso das populações ribeirinhas. Em 1995 uma grande seca dos rios da Amazônia deixou milhares de comunidades isoladas. E neste ano, estamos vivenciando o que vem sendo chamada de a maior enchente de todos os tempos, com os rios atingindo a marca de mais de 9 metros, o maior índice já documentado.

Nas comunidades da região de várzea, normalmente os moradores já preparam suas casas com altura normal de subida dos rios, mas dessa vez o volume das águas está deixando casas totalmente alagadas, e muitas levadas com a força das águas. Cidades inteiras e principalmente comunidades localizadas às margens dos rios, estão debaixo dágua. Famílias inteiras perderam suas casas, tiveram que mudar-se para abrigos ou estão vivendo em condições de calamidade.

Efeitos da ação do homem na natureza? Reflexos das mudanças climáticas globais? O certo é que as condições de saúde pioram muito em situações como essa. As águas que sobem se misturam com dejetos humanos e com os esgotos das cidades, dificultando ainda mais o acesso à água potável e provocando muitas doenças. É isso que preocupa toda a equipe que atua abordo do Abaré, o barco da saúde que leva atendimento médico às comunidades ribeirinhas, num projeto desenvolvido pelo Projeto Saúde & Alegria e pela Terre des Hommes Holanda.

Foi por este motivo especial que entre os dias 23 a 28 de maio, a caravana de médicos, enfermeiros e educadores do Abaré somou esforços com a Prefeitura Municipal de Santarém e a Defesa Civil para atender cerca de 50 comunidades do Lago Grande, uma grande área de comunidades onde moram cerca de 18 mil pessoas que ficam em sua maioria em regiões de várzea, a maioria delas alagadas.

O Dr. Fábio Tozzi, chefe da equipe do Abaré, explica que “a maioria dos casos de doenças nestas condições são as diarréias, infecções do aparelho digestivo, micoses, que são mais graves principalmente nos casos de crianças”.

É caso de uma criança de sete meses, que foi trazida pela mãe Naiane da Silva Ferreira, num estado de desnutrição e desidratação bastante grave. “Minha filha começou a passar mal e sem querer mamar e ficou com a barriguinha muito grande, não sabia o que fazer”, conta Naiane. O esforço da equipe médica foi grande para recuperar as funções vitais da criança, que ficou em observação no barco até a situação melhorar.

A Sra. Maria das Graças dos Santos Caldeira, de 27 anos, procurou atendimento para um problema no estômago. Ela conta que sua comunidade ficou completamente alagada e teve que deixar sua casa para morar em outra comunidade, onde buscou atendimento no Abaré. “É muito difícil porque ficamos lá isolados, não tinha de onde pegar água boa para consumo. Aqui nós fomos bem atendidos, recebemos remédio e fomos orientados em como tratar da água para beber”, comenta a moradora satisfeita.

Para essa população, a simples presença do médico é motivo de grande alegria. Não é por acaso que a presença do Dr. Fábio Tozzi é motivo até para tirar fotos ao seu lado. No corredor lotado de pacientes à espera do atendimento, mesmo com algum tipo de doença, os moradores, principalmente mulheres e seus filhos, arranjavam sorrisos para aparacer na foto do lado do médico que chegou na comunidade para aliviar as dores.

Uma dessas mulheres era dona Valdelina Tavares da Silva, que trouxe seu filho Railando Gustavo, de 13 anos para fazer uma cirurgia relativamente simples, que pôde ser feita em pouco tempo ali mesmo à bordo do Abaré. Com os olhos lagrimejando, dona Valdelina conta que “o atendimento no Abaré foi um grande alívio, porque nós não teremos que gastar o que a gente não tem,  porque a gente não tem mesmo as condições de ir na cidade”.

Após quase sete dias de atendimento na região do Lago Grande, no rio Amazonas, o Abaré somou mais de seis mil atendimento médicos  e odontológicos e um resultado que não poderá nunca ser medido com números: solidariedade. Nos muitos casos como os que relatamos, fica uma lição de esperança. A pose para a foto tirada após a cirurgia ao lado do Dr. Fábio é o retrato da diferença que faz na vida das pessoas, serem atendidas com dignidade.

É muito dificil relatar os dias de atendimento na enchente maior, vista por moradores da FLONA/RESEX de Belterra e Aveiro. Pessoas viram suas casas aos poucos sendo invadida pelas aguas, estão chegando as doenças como diarreia, vômito, infecção respiratoria, amebiase, e outras patologias relacionadas ao fator hidrico. Não podia ser diferente com a analise da água nesta área. É preocupante ver pessoas alojadas em barracões comunitários, se perguntando: “quando a enchente passar, aonde vou morar?” Quando pensamos nas diretrizes dos SUS, sabemos que saude é ter moradia, segurança … Essa enchente é com certeza uma grande lição para todos, não so para a família ABARÉ.

Fala-se muito do meio ambiente, da preservação, da alimentação alternativa. Apreensão de madeira, sem teto, sem terra… O nosso estado é campeão e não é de hoje. E sim ficaremos a esperar uma cheia? O que faremos? CIDADANIA! CONTROLE SOCIAL! Belissimo! E os ribeirinhos, o que esperam de todos nós?

No dia 11 de maio a unidade móvel de saúde ABARÉ saiu de novo da cidade de Santarém para fazer mais uma viagem de atendimento médico. No mês de maio, o barco atenderá comunidades na Floresta Nacional do Tapajós e na Reserva Extrativista do município de Aveiro. Acompanhe o calendário desta viagem!

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É legal ter cachorro, mas tem que cuidar também! O animal pode transmitir doenças para seres humanos. A equipe do Abaré está tentando, mediante a Secretaria Municipal de Saúde de Santarém, garantir a vacinação animal contra a raiva. Nas últimas viagens do Abaré em março e abril, a equipe da Prefeitura também realizou coleta de sangue dos cachorros na RESEX - Tapajós. O motivo era tentar detectar uma doença chamada leishmanioze ou calazar. É uma doença que afeta pessoas e alguns animais. Através da coleta de sangue, o Agente Comunitário de Saúde pode fazer um exame sorológico, só assim podemos identificar os cachorros doentes. Se o cachorro estiver doente, ele deve ser recolhido e eutanasiado.

Com apoio dos comunitários, a equipe da Prefeitura faz coleta de sangue nos cachorros

O risco para crianças pegarem essa doença é grande, é importante prevenir! Os sintomas são febre, diarréia e aumento do abdômem (barriga grande). Se seu cão estiver apresentando estes sintomas, procure o serviço de saúde do seu município.

Por Jacobien Nagel

O Abaré terminou o primeiro trimestre do ano com ótimos resultados. Os meses de março e abril se destacaram pelas viagens na RESEX-Tapajós, município de Santarém: 1059 consultas médicas foram realizadas nas comunidades ribeirinhas. Além de consultas, pequenas cirurgias e outros tipos de atendimento médico, o pessoal da prefeitura de Santarém e a equipe do PSA trabalhou muito para enfocar na prevenção de doenças.

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A Enfermeira Rose, da equipe do Projeto Saúde & Alegria no Abaré, nos trouxe essa história do dia-a-dia do  “amigo cuidador”, a unidade móvel de Saúde do PSA.

A Rose nos contou que numa rodada extra do Abaré pelo município da Aveiro, na Floresta Nacional do Tapajós, na comunidade de Santa Cruz, ela conheceu a Jennifer, de cinco anos.  Jennifer tateava o Abaré e fazia, com toda a sua capacidade de formar imagens, o cenário visual do navio.  A Rose, atenta aos movimentos da menina, deficiente visual desde o nascimento, foi ao seu encontro para ajudar esse “olhar”, muito especial.

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O príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, está em visita ao Brasil desde a última quarta-feira (11) tendo uma agenda pautada nas questões ambientais, especialmente sobre os efeitos da mudança climática no mundo. Depois de encontrar-se com o Presidente Lula em Brasília, o príncipe acompanhado de sua esposa, a duquesa de Cornualha Camilla, já estiveram também no Rio de Janeiro e em Manaus. Amanhã, sábado (12) o príncipe chegará em Santarém (PA) para visitar os projetos de desenvolvimento sustentável realizados na Floresta Nacional do Tapajós e o trabalho social desenvolvido pelo Projeto Saúde & Alegria - PSA na região.

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Estivemos na comunidade do Porto Novo no dia 20/02/09, aonde a equipe de saude de belterra comandou os atendimentos em saude, realizando atendimentos; médicos, enfermagem, odontologico e outros. O prefeito Geraldo Pastana se fez presente com sua equipe. Esta foi a primeira experiencia que fizemos no municipio de atender em area que não faz parte da FLONA. agradecemos ao secretário de saúde e sua maravilhosa equipe.

Fábio Tozzi atende a criança doente

Ainda começava a anoitecer na comunidade de Prainha, localizada na Floresta Nacional do Tapajós, município de Belterra, quando a equipe da Rede Mocoronga chegou no Barco Saúde & Alegria e ancorou ao lado do Abaré, o outro barco do projeto que atende 73 comunidades da região.

Nossa equipe estava em uma visita de monitoramento das atividades do programa de inclusão digital do PSA, acompanhada de Cristina Hoffman representante da LAZ – Lateinamerika Zentrum (Centro América Latina) organização que apóia a implantação de telecentros comunitários com recursos da Comissão Européia. Continuar lendo este artigo »



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